23/11/24
Durante o lançamento do livro de Henrique Meirelles, nesta semana, em Goiânia, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), se posicionou sobre a Operação Contragolpe, deflagrada pela Polícia Federal (PF). A operação desarticulou uma organização criminosa que planejava um golpe contra o governo eleito em 2022, incluindo o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice, Geraldo Alckmin.
Caiado se mostrou perplexo com a gravidade das acusações. “Eu jamais imaginei na minha vida que situações como essa fossem propostas. O ganhar e perder na eleição é normal, mas o respeito à democracia está acima de tudo”, afirmou. Ele destacou a importância de identificar os mentores do plano e responsabilizá-los devidamente: “Tem que saber quem é o mentor, quem é o autor. Essas pessoas, sim, precisam de uma punição educativa.”
O governador manifestou preocupação com o acirramento das tensões políticas no Brasil e destacou a necessidade de restabelecer a civilidade no debate público. “O Brasil não suporta mais viver da maneira como está vivendo. É inaceitável, inadmissível. Precisamos construir uma democracia consolidada e com respeito aos poderes”, declarou.
Caiado também destacou os desafios trazidos pela polarização. “A política extremada não vai levar o Brasil à civilidade nem a um futuro promissor. É preciso encontrar um ponto de concórdia para avançar na prática democrática”, enfatizou.
Questionado sobre o envolvimento do ex-presidente Jair Bolsonaro no plano, Caiado evitou fazer julgamentos precipitados, ressaltando que essa tarefa cabe ao Judiciário. “Não cabe a mim interpretar. Isso depende da veracidade dos fatos apurados. O Judiciário dará a punição que for devida, mas não podemos prejulgar ninguém”, ponderou.
Ele também criticou falhas na inteligência do governo federal à época. “Se você tem alguém publicando ameaças nas redes sociais, como não haveria monitoramento? Isso é omissão. Nos Estados Unidos, algo assim seria resolvido em minutos. Precisamos de seriedade para prevenir esses casos”, afirmou.
Para Caiado, o atual cenário político exige cuidado e responsabilidade de todas as partes. “É hora de pacificar as coisas. Não é o momento de achar responsáveis por tudo, mas de evitar que as falhas, de um lado ou de outro, tragam consequências tão graves para o país”, alertou.
Ele ainda reforçou a importância de preservar a democracia e evitar futuros embates polarizados. “Será que teremos outra eleição nesse nível de violência? É a pergunta que fica. O que eu defendo é um bom debate, respeitoso, que busque atender os 200 milhões de brasileiros”, concluiu o governador, reiterando seu compromisso com a civilidade política.