26/11/24
A Prefeitura de Goiânia acumula uma dívida superior a R$ 250 milhões com hospitais particulares e filantrópicos, segundo levantamento do Ministério Público de Goiás (MPGO). A situação foi identificada em maio, durante uma ação civil pública que obrigou o município a quitar os débitos, e trouxe à tona o impacto no fechamento de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e enfermarias na capital.
De acordo com Marlene Nunes, coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Saúde do MPGO, o volume exato da dívida só será conhecido após auditoria nas contas da prefeitura. Ela destacou que atrasos nos repasses têm levado à quebra de contratos com prestadores de serviço, como o Hospital Ortopédico e o Hospital da Criança, além de dificultar o acesso da população a leitos hospitalares.
Segundo o MP, muitos leitos habilitados no Sistema Único de Saúde (SUS) estão desocupados porque a prefeitura não paga os prestadores nem encaminha pacientes. “É uma contradição: há leitos disponíveis, mas a população não pode usá-los devido à inadimplência do município”, criticou Nunes.
Hospitais afetados e dívidas
- Santa Casa de Misericórdia: dívida de R$ 18 milhões;
- Hospital Araújo Jorge: R$ 34 milhões;
- Hospital Jacob Facuri: R$ 20 milhões;
- São Judas Tadeu: R$ 6 milhões;
- Hospital Ortopédico: R$ 1 milhão.
Além disso, outros R$ 102 milhões destinados às unidades contratualizadas não foram repassados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), apesar de terem sido encaminhados pelo Ministério da Saúde.
Em junho, o Hospital Gastro Salustiano denunciou um débito de R$ 203,1 milhões, referente ao custeio de UTIs e enfermarias para pacientes com Covid-19 entre maio e junho de 2022.
Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia não respondeu aos questionamentos. O espaço segue aberto para manifestação.