Goiânia, 04/04/2025
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Saúde em colapso: legado de dívidas e mortes expõe crise em Goiânia

26/11/24

A saúde pública em Goiânia está em colapso. Nos últimos dias, a falha no sistema provocou a morte de Severino Santos, Katiane Silva e Janaína de Jesus, que não conseguiram vaga em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) a tempo. Mesmo com ordens judiciais, o serviço público não respondeu à urgência dos casos, deixando famílias desamparadas e alimentando a indignação da população.

Os óbitos, no entanto, são apenas a ponta do iceberg em uma crise que se arrasta há anos. A gestão do prefeito Rogério Cruz (Solidariedade), que está prestes a encerrar, é marcada por dívidas milionárias com instituições como a Santa Casa de Misericórdia e as maternidades públicas de Goiânia, administradas pela Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (Fundahc/UFG).

Essas dívidas têm impactado diretamente os serviços básicos de saúde, gerando suspensões frequentes de atendimentos. Para além do rombo financeiro, a gestão de Cruz colocou à frente da Secretaria de Saúde nomes que não conseguiram lidar com a gravidade do cenário.

Durval Pedroso, substituído em setembro de 2023, deu lugar ao médico Wilson Pollara, conhecido por sua atuação na saúde pública de São Paulo durante a gestão de João Doria. Contudo, as expectativas de mudança não se concretizaram. Desde que assumiu a pasta, Pollara mostrou pouca eficiência em enfrentar a crise, contribuindo para um sistema de saúde que continua sobrecarregado e incapaz de atender à demanda da população.

Em meio ao agravamento da situação, Pollara praticamente desapareceu. O secretário se recusa a falar diretamente com a imprensa e tem se limitado a enviar respostas protocolares por meio de sua assessoria. Enquanto isso, os problemas se acumulam e as soluções parecem cada vez mais distantes.

A responsabilidade de reverter esse cenário recairá sobre o próximo prefeito, Sandro Mabel (União Brasil), que assumirá o cargo em janeiro de 2025. Mabel herdará um sistema de saúde debilitado e profundamente endividado. Apesar de Cruz ser apontado como o principal responsável pelo agravamento da crise, a deterioração do setor é fruto de anos de descaso e má gestão.

Mabel terá a difícil missão de renegociar dívidas, reorganizar a rede de atendimento e restaurar a confiança da população em um sistema que hoje opera no limite. O trabalho promete ser árduo, exigindo medidas estruturais para impedir que novas tragédias, como as mortes recentes de Severino, Katiane e Janaína, voltem a acontecer.

Enquanto isso, a saúde de Goiânia segue respirando por aparelhos, aguardando uma gestão que seja capaz de devolver dignidade aos cidadãos e respostas efetivas às demandas urgentes da capital.


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