27/11/24
A trágica morte da pequena Maria Ayla Pereira Silva, de apenas 1 ano, trouxe à tona o que familiares, especialistas e órgãos públicos têm chamado de incompetência criminosa na gestão da saúde pública em Goiânia, sob o comando do prefeito Rogério Cruz (Solidariedade). A menina, que sofria de uma síndrome rara e dependia de atendimento médico especializado em casa, perdeu a vida após a suspensão da equipe multidisciplinar que a assistia, devido à falta de pagamento pela Prefeitura de Goiânia.
De acordo com a família, a empresa Transmédica Home Care interrompeu os serviços essenciais, como fisioterapia, enfermagem e fonoaudiologia, no dia 22 de outubro. Quatro dias depois, Maria Ayla sofreu uma parada cardiorrespiratória e faleceu, deixando seus pais em desespero. A mãe, Andreia Pereira, relatou que a filha dependia de oxigênio para sobreviver e que o suporte interrompido era vital.
Apesar de uma decisão judicial que obrigava o município a garantir o atendimento domiciliar, a Prefeitura falhou em manter o contrato ativo. Segundo a Defensoria Pública, esta foi a segunda vez que os serviços da empresa foram suspensos por falta de pagamento da gestão municipal. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) atribuiu a responsabilidade à empresa, que não teria disponibilizado os profissionais de saúde. No entanto, a justificativa é vista como insuficiente diante da gravidade da situação.
Maria Ayla nasceu com a síndrome de Moebius, uma condição rara que provoca paralisia facial, insuficiência respiratória e crises convulsivas. Após passar o primeiro ano de vida internada no hospital, ela finalmente foi liberada para tratamento domiciliar em 15 de outubro, poucos dias antes de completar 1 ano. Porém, a alegria da família foi interrompida pela negligência da gestão municipal, culminando na morte precoce da criança.
A falta de planejamento, de transparência e de prioridade da administração pública em questões básicas de saúde é apontada como um dos fatores determinantes para tragédias como esta. Especialistas alertam que casos semelhantes podem se repetir se a Prefeitura de Goiânia continuar falhando em honrar seus compromissos.
A Defensoria Pública segue cobrando explicações da gestão Rogério Cruz, enquanto a família de Maria Ayla busca justiça. A tragédia escancara o descaso da administração municipal com a vida de seus cidadãos, principalmente os mais vulneráveis, e reforça a urgência de mudanças estruturais na saúde pública da capital.