28/11/24
Em 2024, Goiânia atingiu a menor média mensal de uso de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2016, segundo dados do DataSUS. Até setembro, foram faturadas 37.268 diárias, o que equivale a 4.141 por mês, abaixo da média de 4.405 registrada em 2016. Em comparação, 2023 teve a maior média da série histórica, com 5.319 diárias mensais, fora os anos de pandemia.
Especialistas apontam que a redução pode não refletir menor demanda, mas dificuldades no sistema de saúde, como bloqueios de leitos devido a atrasos nos pagamentos ou recusas de hospitais em atender pacientes da rede pública. Atualmente, Goiânia conta com 556 UTIs habilitadas, abaixo das 580 registradas em 2023. Esse cenário agravou a crise no atendimento, como no caso de João Batista Ferreira, de 54 anos, que morreu após esperar quatro dias por uma vaga na UPA do Jardim Itaipu.
A promotora Marlene Nunes Freitas Bueno, do Ministério Público de Goiás, abriu investigação sobre a redução no acesso aos leitos. Segundo o MP, houve uma “paulatina restrição” de vagas, com 13 dos 25 hospitais que prestavam serviços ao SUS municipal desde 2016 encerrando os contratos. Entre os 12 hospitais que ainda atendem, apenas o Ruy Azeredo ampliou as diárias faturadas em 2024.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que possui contrato para 196 UTIs, mas não divulgou dados detalhados sobre leitos nos últimos anos. Especialistas afirmam que a falta de integração entre os sistemas e o bloqueio de vagas comprometem a oferta de terapia intensiva na capital.