Goiânia, 04/04/2025
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Saúde de Goiânia em colapso: mortes, prisões e crise no fim da gestão Rogério Cruz

30/11/24

A crise na saúde pública de Goiânia atingiu níveis alarmantes no final da gestão do prefeito Rogério Cruz (Solidariedade). Nas últimas semanas, a capital enfrentou a falta de ambulâncias no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), escassez de médicos em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Centros de Atenção Integral à Saúde (Cais), além de insuficiência de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A precariedade resultou em filas intermináveis e, tragicamente, na morte de pelo menos quatro pessoas enquanto aguardavam transferência para tratamento intensivo.

Diante do agravamento da situação, a equipe de transição do prefeito eleito, Sandro Mabel (União Brasil), organizou reuniões emergenciais para discutir soluções temporárias. O encontro, que contou com a presença do Secretário Estadual de Saúde, Rasível Santos, do então Secretário Municipal de Saúde, Wilson Pollara, e outros representantes, resultou no compromisso de abertura de 30 novos leitos de UTI em até dez dias.

No entanto, apenas dois dias após a reunião, o Ministério Público de Goiás (MPGO) realizou uma operação que culminou na prisão de Wilson Pollara, do secretário executivo da Saúde, Quesede Ayres Henrique, e do diretor financeiro da pasta, Bruno Vianna Primo. Eles são investigados por associação criminosa e irregularidades em contratos administrativos.

As detenções expuseram ainda mais os problemas estruturais da gestão Rogério Cruz, já marcada por escândalos e má administração. Sob pressão, Cruz apareceu publicamente para nomear uma secretária interina e alegar que "nunca deixou de trabalhar". Porém, sua ausência prolongada durante a crise sanitária reforçou as críticas ao seu despreparo.

Escândalos

A administração de Rogério Cruz foi consistentemente marcada por escândalos. A crise na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), investigada por uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), gerou desgastes políticos que comprometeram sua tentativa de reeleição. Cruz terminou a disputa eleitoral em penúltimo lugar, deixando uma dívida de mais de R$ 250 milhões com hospitais particulares e filantrópicos.

Uma das denúncias mais emblemáticas envolve o pedido de Wilson Pollara para que o Hospital Jacob Facuri adiasse a suspensão de internações do SUS até o fim das eleições, mesmo com pagamentos em atraso. A solicitação, assumida pelo então secretário, revelou a tentativa de maquiar a gravidade da situação na saúde durante o período eleitoral.

Enquanto a gestão Cruz se aproxima do fim, a população de Goiânia segue enfrentando uma rede de saúde pública desestruturada, com falta de insumos, profissionais e leitos. Sandro Mabel vai herdar uma prefeitura mergulhada em dívidas e crises, mas afirma estar comprometido com ações imediatas para minimizar os impactos à população.


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