15/12/24
A mãe do adolescente que teve os celulares roubados, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana de Goiânia, denunciou que o policial, o segurança e o instrutor de tiros suspeitos de cometer o crime eram ligados ao deputado federal Professor Alcides (PL). Ao registrar boletim de ocorrência, obtido com exclusividade pela TV Anhanguera, a mãe disse que eles roubaram os telefones para eliminar os arquivos que comprovavam envolvimento sexual do parlamentar com o garoto quando ele tinha 13 anos.
Em nota, o deputado federal diz que as acusações não são verdadeiras e alega que foi estabelecida uma narrativa desonesta “baseada na distorção de fatos que teriam ocorrido e que supostamente envolveriam indiretamente” o nome dele. O policial, o segurança e o instrutor de tiros ligados a Alcides foram presos pela Polícia Civil na quinta-feira, 12. Os nomes dos detidos não foram divulgados pela Polícia Civil. O advogado Clécio Teles, que representa o policial militar preso, negou o envolvimento do cliente no roubo dos celulares do adolescente.
Já a Polícia Militar informou em nota que foi acionada para prestar apoio à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Aparecida de Goiânia no cumprimento de um mandado de prisão do PM e que acompanhou todas as etapas do procedimento, “incluindo a condução e transferência do detido ao Presídio Militar, respeitando rigorosamente os trâmites legais estabelecidos”.
Ao denunciar o caso, a mãe do adolescente contou que o filho teria sido convidado para participar de uma seleção de jogadores de futebol Sub-16 em outubro de 2021. Essa seleção seria para ingressar em um time de futebol goiano e teria sido realizada na casa do deputado federal Alcides Ribeiro Filho. Na ocasião, de acordo com o relato, outros adolescentes e o segurança preso estavam no local.
A mãe do adolescente ainda revelou que, segundo o filho, Alcides teria pedido para que todos, menos ele, saíssem da casa e fossem ao campo de futebol que fica dentro do condomínio. A denúncia narra que, naquele momento, o deputado "tocou no corpo do menor dentro da roupa e ainda beijou a boca do menor". Diz ainda que o parlamentar "chamou o menor para o quarto para tentar manter relação sexual", mas que o adolescente teria se negado e saído do local.
O boletim de ocorrência ainda diz, em seguida, que após aproximadamente duas semanas, "o adolescente retornou ao local e teve conjunção carnal" com o deputado, sem dar mais detalhes sobre o motivo do retorno do adolescente ao local. O boletim de ocorrência não detalha se houve novos encontros entre o adolescente e o deputado. Após narrar a suposta seleção de futebol em 2021, a mãe relata que, em 12 de novembro deste ano, houve o roubo dos celulares do adolescente.
Ao portal G1 Goiás, a delegada Sayonara Lemgruber, que investiga o caso, na ocasião, os três investigados foram em um carro até a casa do adolescente, que atualmente tem 16 anos. A mãe detalha no boletim de ocorrência que o segurança preso teria buscado o filho dela para supostamente levar o menino ao dentista. No entanto, de acordo com a Polícia Civil, quando o menino entrou dentro do carro, os três suspeitos teriam roubado os celulares, ameaçado e exigido que o garoto informasse a senha da nuvem de armazenamento para que o conteúdo dos aparelhos do adolescente fossem apagados.
“Supostamente para a finalidade de apagar mensagens, vídeos dessa suposta relação pessoal entre o adolescente e o indivíduo politicamente exposto”, completou a delegada. No registro policial, a mãe detalhou que, dentro do carro, o segurança teria colocado "a arma de fogo contra a perna esquerda do adolescente, ameaçando atirar, enquanto outro homem apontou outra arma de fogo para o pescoço" do menor. Para o roubo, a polícia explicou que foi usado um Volkswagen Fox prata. Segundo o boletim de ocorrência, esse carro pertence ao policial militar.
Além dos três mandados de prisão temporária, que têm duração de 30 dias, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão contra os investigados. A delegada informou que investiga o envolvimento do adolescente com o político. Segundo ela, a apuração corre em sigilo.