16/12/24
As novas diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), apresentadas em agosto no Congresso Europeu de Cardiologia, acenderam um alerta sobre a hipertensão. Antes considerada normal, a pressão arterial de 120/80 mmHg (ou "12 por 8") agora é classificada como elevada, apontando para um risco inicial de complicações cardiovasculares e renais. A mudança redefine a forma como a saúde cardiovascular deve ser monitorada e tratada.
Para Andreia Rosa de Oliveira, 47 anos, cabeleireira com histórico familiar de hipertensão, a novidade chamou a atenção, embora tenha gerado uma reação descontraída. "Se 12 por 8 agora é pressão alta, com 14 por 9 a pessoa deve estar morrendo", brinca. Apesar disso, Andreia demonstra preocupação e já adotou medidas preventivas, como a retomada de atividades físicas e o controle da alimentação. "É um problema silencioso que eu prefiro evitar", afirma.
A hipertensão, que antes só era diagnosticada com valores acima de 140/90 mmHg (ou "14 por 9"), passa a ter novos critérios. Agora, a pressão é classificada como:
Não elevada: abaixo de 120/70 mmHg
Elevada: entre 120/70 mmHg e 139/89 mmHg
Hipertensão: acima de 140/90 mmHg
Esses parâmetros refletem o entendimento de que a transição para a hipertensão ocorre de forma gradual. "Essa nova abordagem permite diagnósticos mais precoces e intervenções preventivas, reduzindo os riscos de eventos graves, como infarto, AVC e insuficiência renal", explica o cardiologista Arthur Pipolo, da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista.
O impacto dos novos parâmetros vai além do diagnóstico. Pacientes com pressão arterial elevada, mesmo em níveis considerados seguros no passado, são mais propensos a desenvolver doenças cardiovasculares e lesões renais. "Quanto mais cedo o alerta, maior a chance de prevenir complicações graves", reforça o especialista.
A prevenção ganha protagonismo nesse cenário. Mudanças no estilo de vida, como praticar exercícios regularmente, adotar uma dieta equilibrada, controlar o estresse e evitar o excesso de sal, álcool e tabaco, são medidas essenciais para manter a pressão arterial sob controle.
O alerta não é apenas para quem já enfrenta problemas de pressão, mas para toda a população. Pequenos ajustes na rotina podem fazer uma grande diferença, e o diagnóstico precoce pode salvar vidas. A mensagem é clara: cuidar da pressão arterial desde cedo é um passo crucial para evitar complicações futuras.