18/12/24
O ex-diretor administrativo da Secretaria Municipal de Educação de Goiânia (SME), Ítallo Moreira de Almeida, segue foragido da Polícia Federal (PF), que o investiga por participação em um esquema de fraudes em contratos públicos e desvios de recursos em ao menos 14 estados. Ítallo, nomeado em agosto e exonerado no último dia 10 de dezembro, é alvo de um mandado de prisão expedido no âmbito da Operação Overclean, que apura movimentações ilícitas que somam R$ 1,4 bilhão.
A Operação Overclean, coordenada pela PF da Bahia, desmantela um esquema que envolve corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo o inquérito, a fraude era liderada pelos irmãos Alex e Fábio Rezende Parente, donos das empresas Allpha Pavimentações e Larclean Saúde Ambiental. O grupo superfaturava contratos públicos, contando com a colaboração de servidores que recebiam propinas para manipular processos licitatórios. Ítallo Moreira é apontado como intermediário dessas negociações ilícitas.
As investigações revelaram que o esquema teve início no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) e se expandiu para outras administrações estaduais e municipais. Os pagamentos ilícitos eram ocultados por meio de empresas fantasmas, dificultando a rastreabilidade dos valores desviados. Mensagens interceptadas pela PF apontam que Ítallo teria indicado contas bancárias para o depósito de propinas, consolidando seu papel na rede criminosa.
A nomeação de Ítallo na SME ocorreu poucos meses antes de sua exoneração e da emissão do mandado de prisão. O caso coloca em evidência a amplitude e sofisticação do esquema, que já havia se infiltrado em diversas esferas públicas do país, e reforça a necessidade de mecanismos mais rigorosos de controle e fiscalização nos processos licitatórios.