18/12/24
O encontro entre o vice-governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), e o ex-presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, em novembro, sinaliza o fortalecimento do projeto político do emedebista para o governo do estado em 2026. A reunião, organizada pelo vereador eleito de Goiânia Major Vitor Hugo (PL), gerou reações de insatisfação na ala mais radical do PL goiano, liderada pelo deputado federal Gustavo Gayer e pelo senador Wilder Morais.
Os líderes locais, que têm defendido uma candidatura própria ao governo de Goiás, veem com desconfiança o gesto da cúpula nacional do partido. Em nota, Wilder e Gayer repudiaram a articulação feita por Vitor Hugo, ameaçando até mesmo sua expulsão caso ele insista em movimentos considerados prejudiciais aos interesses regionais da legenda. Wilder reafirmou que o PL pretende lançar candidato próprio em 2026 e criticou o vereador por agir sem consulta prévia.
Major Vitor Hugo, por sua vez, rebateu as críticas em vídeo, destacando que sua relação com Bolsonaro não exige aval de lideranças regionais. Ele afirmou que a reunião ocorreu porque Bolsonaro nutre respeito por Daniel Vilela. O encontro mostra que Daniel tem musculatura política e que Bolsonaro o reconhece como uma liderança relevante em Goiás.
Já Daniel Vilela minimizou a polêmica e classificou a conversa como informal. Em entrevista, afirmou que está aberto a diálogo com todas as forças políticas e que a reunião foi autorizada pelo governador Ronaldo Caiado. “Foi um bate-papo descontraído. Não há qualquer definição sobre 2026. Nosso foco é a gestão”, disse o vice-governador.
A crise expôs um racha interno no PL goiano, alimentado pela postura de Gayer, considerado intransigente até por correligionários. Analistas avaliam que o radicalismo do deputado prejudica a construção de alianças, essenciais para viabilizar projetos políticos de longo prazo.
Nas eleições municipais de 2024, o PL em Goiás teve desempenho tímido, elegendo prefeitos em apenas 27 municípios, enquanto a base aliada de Caiado e Daniel conquistou mais de 200 prefeituras. Esse resultado, somado à postura isolacionista de Gayer, pode comprometer os planos do senador Wilder Morais de disputar o governo estadual em 2026.
Para os prefeitos eleitos pelo PL, o pragmatismo será inevitável, considerando a necessidade de manter boa relação com o governo estadual. Isso pode levar à erosão do apoio interno ao discurso mais radical, especialmente se o MDB continuar ampliando sua influência com lideranças locais e nacionais.
O gesto do PL nacional em receber Daniel Vilela, portanto, não só reforça a relevância do vice-governador no cenário político, como também evidencia a dificuldade do PL goiano em consolidar uma estratégia coesa e competitiva para os próximos anos.