21/12/24
A decisão da Prefeitura de Aparecida de Goiânia de restringir o atendimento nos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) ao período parcial para crianças de 4 e 5 anos, a partir de 2025, tem causado indignação entre as mães que dependem do serviço integral para conciliar suas rotinas de trabalho e cuidados com a família.
O anúncio, feito próximo ao encerramento do ano letivo, gerou apreensão entre as famílias. Patrícia, mãe de dois filhos, enfrenta um cenário desafiador. O filho mais velho, de 9 anos, precisa de tratamentos médicos mensais e remédios controlados, enquanto ela aguarda por uma cirurgia no coração. “Eu contava com o Cmeipara poder levar meu filho mais velho ao médico. Agora, com essa mudança, não sei como vou fazer. Não tenho rede de apoio. Meu pai sofreu um AVC, e minha mãe já faleceu. A gente que é mãe fica sem saída”, desabafou ao portal Mais Goiás.
Marina Dias, outra mãe afetada, relatou as dificuldades que a nova regra trará para sua rotina de trabalho. “Minha filha estuda no Cmei Comunidade Legal, e fomos pegos de surpresa. Eu trabalho das 7h às 16h30, e nenhum dos períodos oferecidos atende minha necessidade. Não tenho como pagar uma babá, que custa em torno de R$ 600. Sou eu que sustento minha casa e não posso sair do emprego”, afirmou.
Dileuza Lima, mãe de uma menina de 4 anos, compartilha o mesmo sentimento de desamparo. “Avisaram essa mudança só no último dia de aula. Não sei o que fazer. Tenho que trabalhar e não tenho com quem deixar minha filha no outro período”, disse.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação de Aparecida de Goiânia, a decisão de limitar o atendimento a meio período nos agrupamentos IV e V (pré-escola) tem como objetivo zerar a fila de espera para crianças de 4 e 5 anos que aguardam vagas na rede municipal.
“A medida visa atender mais alunos dessa faixa etária e garantir que iniciem sua alfabetização. O horário será das 7h às 11h15 no turno matutino e das 13h às 17h15 no turno vespertino. Essa mesma organização já ocorre nas escolas municipais”, informou a prefeitura em nota.
Apesar da justificativa, as mães afetadas argumentam que a medida não considera a realidade de famílias que dependem do atendimento integral. A falta de alternativas para o período em que as crianças não estarão no Cmei representa um desafio financeiro e logístico para quem precisa trabalhar fora de casa.
Enquanto a administração municipal busca ampliar o acesso ao ensino infantil, mães como Patrícia, Marina e Dileuza continuam preocupadas, tentando encontrar soluções para a nova realidade imposta pela mudança. Para elas, a decisão deixa claro que, mesmo com avanços em políticas públicas, há lacunas que ainda precisam ser preenchidas para atender às necessidades das famílias trabalhadoras.