22/12/24
Uma nota divulgada na última terça-feira, 17, pelos líderes estadual e municipal do PL, senador Wilder Morais e deputado Gustavo Gayer, gerou burburinho no meio político goiano. O texto criticava supostas articulações do Major Vitor Hugo com adversários políticos no estado, interpretadas como uma afronta à unidade do partido. No entanto, a postura enérgica da legenda contra Vitor Hugo trouxe à tona um questionamento incômodo: por que o mesmo rigor não foi aplicado ao caso envolvendo o deputado Professor Alcides?
A nota de repúdio do PL, amplamente divulgada nas redes sociais, apontava como alvo o ex-líder do governo Bolsonaro na Câmara, Major Vitor Hugo. Segundo o documento, ele estaria promovendo “diálogos” com figuras da oposição em Goiás, incluindo o vice-governador Daniel Vilela. A crítica ganhou ainda mais força após um vídeo de Vitor Hugo esclarecer que o encontro entre Vilela e Bolsonaro ocorreu com o aval do próprio ex-presidente, evidenciando fissuras dentro do partido.
O termo “diálogos”, que deveria representar um pilar da política democrática, foi usado de forma pejorativa, ampliando as tensões entre as alas internas do PL, sobretudo após o fracasso eleitoral do partido em Goiânia, onde apostaram no projeto “Fred prefeito”.
Professor Alcides
Enquanto o partido se mobilizou contra Vitor Hugo, comentários nas redes sociais da legenda questionaram a ausência de qualquer posicionamento oficial sobre as graves suspeitas envolvendo o deputado Professor Alcides. Investigado na operação Peneira, deflagrada pela Polícia Civil de Goiás no início de dezembro, Alcides foi citado em um caso que envolve roubo majorado, ameaça com arma de fogo e, mais gravemente, a possível relação inapropriada com um adolescente de 16 anos.
Em sua defesa, Alcides classificou as acusações como infundadas e lamentou o uso de sua orientação sexual como arma política. “Sou homossexual, não sou bandido. Bandidos são os que se levantam contra mim”, declarou o parlamentar em uma carta aberta.
No entanto, o silêncio de líderes como Gustavo Gayer, que antes exaltava Alcides como “uma pessoa bondosa e generosa”, chama atenção. Durante a campanha eleitoral, Gayer foi um de seus principais defensores, mas, diante das acusações recentes, não há registro de manifestações públicas nem de apoio nem de repúdio.
A diferença de postura em relação a Vitor Hugo e Alcides expõe possíveis contradições internas no PL. No caso de Vitor Hugo, uma reunião política rendeu duras críticas públicas. Já no caso de Alcides, cujas suspeitas envolvem questões éticas e criminais, a legenda opta pelo silêncio.
Enquanto a presunção de inocência de Alcides deve ser respeitada, é questionável que o partido não tenha utilizado sua plataforma para cobrar justiça, apoiar investigações ou até mesmo posicionar-se moralmente diante das graves alegações.
A situação levanta um ponto: por que a energia despendida para condenar diálogos políticos não foi empregada para abordar um caso que carrega implicações éticas profundas?