23/12/24
Na última terça-feira (17), uma nota publicada nas redes sociais do PL de Goiás e Goiânia desencadeou uma forte reação na direita bolsonarista. O texto, assinado pelo senador Wilder Morais e pelo deputado federal Gustavo Gayer, líderes estadual e municipal do partido, respectivamente, expressava indignação com o suposto comportamento do colega Major Vitor Hugo. Segundo a nota, o parlamentar estaria “dialogando com adversários estaduais” em torno das eleições de 2026, o que foi tratado como traição política.
A controvérsia girava em torno de um encontro entre o vice-governador Daniel Vilela (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), autorizado pelo próprio ex-presidente, conforme vídeo divulgado por Vitor Hugo. A reunião provocou um descontentamento exacerbado na ala Wilder/Gayer do PL, já fragilizada após a derrota de Fred Rodrigues na eleição para a Prefeitura de Goiânia. Na nota, até mesmo o termo “diálogo”, essencial para a política, foi usado em tom pejorativo.
Entretanto, enquanto o partido se mobiliza contra uma articulação política, uma crise ainda mais grave permanece envolta em silêncio: as suspeitas que recaem sobre o deputado Professor Alcides.
No dia 12 de dezembro, a Polícia Civil de Goiás deflagrou a operação Peneira, investigando roubo, ameaça com arma de fogo e destruição de provas relacionadas a uma suposta relação entre o parlamentar e um adolescente de 16 anos. As denúncias, feitas pela mãe do adolescente, sugerem que os abusos teriam começado em 2021, quando o jovem tinha apenas 13 anos.
Funcionários do deputado foram alvo de mandados de prisão e busca. Em resposta, Alcides publicou uma carta aberta em que negou as acusações e afirmou ser vítima de perseguição política. “Sou homossexual, não sou bandido. Bandidos são os que se levantam contra mim”, declarou. Apesar das graves suspeitas, Alcides não foi formalmente acusado até o momento, permanecendo sob a presunção de inocência.
O caso levantou questionamentos sobre o comportamento dos líderes do PL em relação ao Professor Alcides. Durante a campanha eleitoral, Gustavo Gayer, um dos principais defensores do deputado, chegou a descrevê-lo como “bondoso” e “calmo demais” em um vídeo nas redes sociais. Agora, diante das graves suspeitas, o mesmo fervor usado contra Vitor Hugo parece ter se dissipado.