Goiânia, 04/04/2025
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Gestão de Wilson Pollara e Rogério Cruz na saúde em Goiânia enfrenta série de escândalos e ações de órgãos de controle

24/12/24

A gestão de Wilson Pollara à frente da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia foi marcada por uma série de contratos, convênios e credenciamentos questionados ou barrados pelos órgãos de controle externo. Ao longo de 2024, licitações perderam protagonismo em contratações essenciais para a pasta, gerando investigações e denúncias que abalaram a administração municipal.

Entre os casos mais emblemáticos, está o convênio de R$ 10 milhões firmado entre a SMS e a associação União Mais Saúde, investigado na operação Speedy Cash da Polícia Civil de Goiás. O contrato previa palestras, cursos de capacitação e atendimentos em unidades móveis, mas foi suspenso após o Ministério Público de Contas (MPC) apontar irregularidades, incluindo repasses rápidos e despesas administrativas inflacionadas. O ex-secretário executivo Quesede Ayres Henrique está preso, e Wilson Pollara é considerado foragido.

Outro convênio polêmico envolveu R$ 15 milhões destinados ao Instituto Vital – Gestão Pública para consultas e exames em unidades móveis, sem licença sanitária. O contrato foi suspenso após reportagens apontarem irregularidades no registro da entidade, mas segue sob análise do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO).

Durante o decreto de emergência por dengue, Pollara autorizou contratações diretas que levantaram suspeitas. Um contrato de locação de 21 motofogs, por exemplo, foi suspenso após recomendação do Ministério Público Estadual (MP-GO), já que os casos da doença estavam em queda. Outra tentativa de contratação emergencial envolveu um sistema de gestão do Samu, mesmo com o Ministério da Saúde oferecendo uma solução gratuita.

A adesão a atas de registro de preços, prática adotada na gestão de Pollara, também foi alvo de críticas. Um contrato de até R$ 107,9 milhões com a Construtora Porto, ligado a uma empresa de Brasília, foi assinado sem licitação, com valor 325% maior que o anterior. Embora a SMS tenha suspendido pagamentos, a contratação gerou questionamentos sobre sua razoabilidade, especialmente em uma cidade com estrutura para realizar seus próprios processos licitatórios.

As consequências dessas contratações controversas refletem no atendimento à população. Obras em unidades de saúde, como o Cais Amendoeiras e o Ciams Novo Horizonte, seguem incompletas, prejudicando serviços essenciais.

Especialistas ouvidos pela reportagem alertam para a necessidade de maior rigor na gestão pública, com priorização de licitações como meio mais transparente e isonômico de contratação. "A utilização indiscriminada de contratos emergenciais e adesões a atas contamina o processo e prejudica a confiança na administração pública", afirmou o advogado Juscimar Ribeiro, presidente do Instituto de Direito Administrativo de Goiás (Idag).


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