28/12/24
A gestão de Rogério Cruz (Solidariedade) na Prefeitura de Goiânia, que se aproxima do fim, foi marcada por despreparo, desafios mal resolvidos e rejeição recorde. Para o cientista político Pedro Célio Alves Borges, o desempenho do prefeito, que assumiu após a morte de Maguito Vilela (MDB), foi prejudicado desde o início por um "mal de origem".
“Rogério Cruz era um nome amplamente desconhecido dos goianienses e assumiu a prefeitura sem preparo para os desafios de uma cidade grande, complexa e muito desigual”, analisou Borges. Ele afirma que a administração falhou em conter problemas antigos e evitou soluções para questões emergentes, resultando em "índices que colocam Goiânia em posições indesejáveis para qualquer gestor".
Pesquisa Serpes, divulgada pelo jornal O Popular em 26 de outubro, revelou que 70% dos goianienses avaliam negativamente a gestão de Cruz, com 55,4% considerando-a péssima e 14,8%, ruim. Esses números refletem o descontentamento da população com a condução política e administrativa da capital.
O cientista político Francisco Tavares destacou que a escolha de Cruz para vice de Maguito em 2020 foi um erro estratégico do MDB e seus aliados. “O Brasil permite coligações que ampliam bases eleitorais, mas muitas vezes sem avaliar a capacidade administrativa e política dos escolhidos. Rogério Cruz é um exemplo claro disso”, afirmou Tavares.
Ele também comparou a gestão de Cruz à de Marcelo Crivella no Rio de Janeiro, prefeito entre 2017 e 2020, em uma administração marcada por crises e dificuldades. “A gestão de Cruz foi pior do que a de Crivella”, declarou.
Rogério Cruz, pastor licenciado da Igreja Universal, foi alçado à posição de vice para atrair o apoio do Republicanos e da base religiosa representada pela instituição. Durante a campanha de 2020, Maguito Vilela esteve ausente, hospitalizado devido à Covid-19, e faleceu pouco após a posse, em janeiro de 2021.
Esse histórico pesou sobre Cruz, que, segundo Borges, não conseguiu estabelecer liderança política e administrativa em Goiânia. “Não me recordo de outra gestão que tenha deixado a cidade tão malcuidada e sem direção”, afirmou o cientista político ao jornal O Popular.
Tavares, contudo, ressalta que o cenário atual não é responsabilidade exclusiva de Cruz. Ele aponta para uma Câmara Municipal “pouco pressionada pelo eleitorado” e voltada para atender demandas pulverizadas, tornando-se cúmplice de falhas na gestão.
“Rogério Cruz está onde está porque houve um erro coletivo de vários grupos políticos, muitos dos quais ainda têm relevância no estado de Goiás e em Goiânia”, explicou Tavares.