Goiânia, 04/04/2025
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Marconi se atrapalha em ataque a Caiado e acaba criticando seu próprio governo

03/01/25

 O ex-governador Marconi Perillo tentou criticar a situação das rodovias em Goiás e o governo de Ronaldo Caiado (União Brasil), mas acabou chamando atenção ao revelar a própria má gestão quando ainda era governador do estado. Em vídeo publicado em suas redes sociais, ele exibiu um recorte do jornal O Popular com a manchete: "Dois trechos de rodovias em Goiás estão entre os 10 piores do Brasil, aponta pesquisa CNT". A matéria, datada de 7 de novembro de 2017, fazia referência a trechos da BR-158, entre Jataí e Piranhas, e da GO-174, entre Rio Verde e Iporá, retratando, de fato, a precariedade das rodovias naquele período, último ano do quarto mandato de Perillo à frente do Governo de Goiás.

Nos bastidores, o uso da reportagem antiga foi atribuído a uma assessoria duvidosa, à falta de checagem e à pressa do ex-governador em criticar a atual gestão sem, contudo, verificar as informações. O estudo da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostrava a precariedade das rodovias mantidas pelo governo do Estado em 2017. 

No mesmo vídeo, Perillo, que tem sido alvo de queixas devido a sua gestão à frente do PSDB, apresentou outro dado falso, ao afirmar que o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), contribuição destinada a obras de infraestrutura, teria arrecadado R$ 6 bilhões. Dados do governo Caiado apontam que a arrecadação efetiva não ultrapassa R$ 2 bilhões.  

A tentativa de crítica acabou resgatando falhas e pontos negativos dos mandatos de Marconi Perillo. Em 2015, por exemplo, diante da inoperância da então Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), o judiciário acabou interditando a GO-206, no trecho que liga Caçu a Itarumã, bem como as GOs-302 e 178, ao apontar a falta de condições mínimas de trafegabilidade. 

A Agetop colecionou uma série de escândalos, dentre eles o esquema que foi desvendado a partir da Operação Compadrio, do Ministério Público de Goiás (MP-GO), que, à época, levou nove pessoas ligadas ao órgão para a cadeia. Em 2015, o MP-GO também identificou fraude na execução de obras asfálticas em rodovias goianas. Segundo a acusação, o asfalto licitado era para ter 40 centímetros de espessura, mas foi construído com menos de 5 centímetros.

Venda da Celg-D
No mesmo vídeo, Marconi criticou a venda da Celg-T, realizada pelo governo Caiado em 2021 por quase R$ 2 bilhões, questionando a aplicação dos recursos, mesmo sendo de conhecimento público que esse recurso foi aportado na previdência dos servidores do estado de Goiás. Além disso, a comparação com a venda da Celg-D, realizada em 2016 durante a gestão de Perillo, trouxe novamente à tona questionamentos.

Na época, Goiás vendeu 49% das ações da Celg-D por R$ 1,1 bilhão, mas assumiu dívidas e compromissos que resultaram em prejuízo líquido ao estado, sendo uma dívida de R$ 2,4 bilhões com a Caixa e a concessão de cerca de R$ 5 bilhões em outorga de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para a empresa adquirente, no caso a italiana Enel, fazer frente aos contenciosos da empresa. Na apuração final, Goiás teve que assumir um passivo de cerca de R$ 7,4 bilhões, para receber, líquidos, apenas R$ 800 milhões.


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