Goiânia, 04/04/2025
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Plataformas digitais adquiridas por Cruz a R$ 6 milhões não foram utilizadas

11/01/25

A Prefeitura de Goiânia investiu R$ 6 milhões, em 2024, na criação de dois aplicativos destinados a comunicação institucional e educação, mas as plataformas permanecem quase sem uso. Contratados sem licitação na gestão do ex-prefeito Rogério Cruz (SD), os serviços foram desenvolvidos pela empresa Zoeweb Play e já consumiram R$ 3,8 milhões do contrato. Apesar disso, o conteúdo disponível nos canais é mínimo, e a divulgação dos serviços é praticamente inexistente.

Os aplicativos Goiânia Play e Gov Educa foram lançados com promessas de inovação. O Goiânia Play, anunciado como canal de streaming oficial da Prefeitura, registra apenas cem downloads na Play Store, enquanto o Gov Educa, voltado para cursos online, foi baixado pouco mais de 5 mil vezes. Segundo o ex-secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia, Paulo César da Silva, os serviços estão disponíveis há sete meses e já foram entregues. "A plataforma está disponível para todas as secretarias e, até minha saída, em 31 de dezembro, já era utilizada pela Secretaria de Educação para capacitar servidores", afirmou ao jornal O Popular.

Apesar disso, as plataformas carecem de atualizações regulares. No caso do Goiânia Play, os últimos conteúdos incluem vídeos da posse do atual prefeito Sandro Mabel (UB) e de seu secretariado, além de projetos culturais e assistenciais da gestão anterior. Já o Gov Educa apresenta apenas cursos gerais, sem indicação de uso exclusivo pela Prefeitura.

A descrição do Goiânia Play nas lojas de aplicativos promete interação direta com o prefeito, transmissão de eventos ao vivo e até acesso a conteúdos culturais, como filmes e documentários sobre Goiânia. Porém, nenhum desses serviços está disponível atualmente. O aplicativo transmite o canal da TV Alego, sem explicação clara, e o espaço reservado para programação semanal segue vazio.

Já o Gov Educa oferece cursos básicos, como gestão de ordens de serviço e elaboração de processos licitatórios, mas sem identidade visual ou conteúdo que remeta diretamente à Prefeitura de Goiânia, exceto pelo endereço do site.

O contrato com a Zoeweb prevê o pagamento mensal de R$ 500 mil por 12 meses, totalizando R$ 6 milhões. Até o momento, oito parcelas foram quitadas, conforme registros no portal de transparência da Prefeitura. A empresa afirma que o trabalho é contínuo, mas não esclareceu se a produção e atualização de conteúdo fazem parte de suas obrigações contratuais.

A gestão atual, sob Sandro Mabel, não se manifestou sobre a continuidade dos serviços e informou apenas que está revisando todos os contratos em vigor.


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