19/01/25
Uma pesquisa do instituto Quaest, divulgada na última sexta-feira, 17, revelou que 67% dos brasileiros acreditam na possibilidade de o governo federal implementar um imposto sobre transferências e pagamentos realizados via Pix. O levantamento, realizado presencialmente entre os dias 15 e 17 de janeiro com 1.200 pessoas de todas as regiões do país, destacou o impacto da desinformação disseminada sobre o tema. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais.
Embora o governo tenha desmentido os rumores e revogado a portaria da Receita Federal que originou os boatos, a pesquisa mostra que 87% da população ouviu falar sobre a suposta taxação, mas apenas 68% tomaram conhecimento do desmentido oficial. Apenas 17% dos entrevistados disseram acreditar que o governo não implementará a medida, enquanto 16% não souberam opinar.
A confusão começou com uma portaria da Receita Federal que determinava a transferência semestral de dados sobre movimentações superiores a R$ 5 mil por mês realizadas em carteiras digitais e fintechs, alinhando essas transações às regras aplicadas aos bancos tradicionais. Apesar de o objetivo ser apenas ampliar a fiscalização tributária, a medida foi associada a uma tentativa de taxar o Pix, gerando críticas nas redes sociais e na oposição.
Diante da pressão popular, o governo revogou a norma, mas isso não bastou para conter a onda de desinformação. Segundo a Quaest, após a revogação, as menções negativas ao governo Lula nas redes sociais dispararam, saltando de 54% para 86% nas interações sobre o tema.
Um dos fatores que amplificaram o alcance da fake news foi um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que viralizou ao sugerir a possibilidade de taxação do Pix. A publicação alcançou 291 milhões de visualizações, marcando um recorde de engajamento nas plataformas digitais. O pico de menções sobre o tema ocorreu em 15 de janeiro, totalizando 22 milhões de interações.
Diretor da Quaest e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Felipe Nunes diz que o episódio destacou fragilidades na comunicação do governo. “A revogação passou a impressão de que o governo estava errado e que a oposição estava certa. Foi uma demonstração de fraqueza que impacta a credibilidade da gestão”, avaliou Nunes em publicação nas redes sociais.
O governo Lula agora trabalha em uma medida provisória (MP) que visa reforçar o sigilo bancário nas transações via Pix, garantir a isonomia de custos entre transferências digitais e em espécie, e desmentir categoricamente qualquer possibilidade de tributação futura. O objetivo é fortalecer a confiança no sistema de pagamentos digitais, amplamente utilizado pela população. “A incapacidade de pautar o debate de maneira proativa expôs a gestão a uma pressão desnecessária e reforçou a narrativa opositora”, completou Felipe Nunes.