26/01/25
A possibilidade de uma fusão entre o PSDB e o PSD, frequentemente mencionada na imprensa, pode esbarrar em obstáculos políticos e estratégicos. Embora o movimento pareça promissor para salvar o PSDB, que enfrenta o risco de extinção devido à perda de relevância no cenário nacional, as condições impostas por Gilberto Kassab, presidente do PSD, colocam em xeque o protagonismo de lideranças tucanas como Eduardo Leite, Aécio Neves e Marconi Perillo.
Na prática, a fusão surge como uma tentativa de “extinguir” o PSDB sem assumir essa narrativa publicamente. "Ninguém quer passar para a história como coveiro do PSDB", afirma um observador próximo às negociações. Contudo, a estratégia de Kassab está alinhada a um projeto que envolve o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e não contempla a candidatura presidencial de Eduardo Leite, como desejado pelos tucanos.
O PSD, que atualmente conta com 14 senadores e uma base mais sólida do que o PSDB, tem Kassab como peça-chave na articulação política. Caso Tarcísio de Freitas dispute a presidência em 2026, Kassab deverá ser o coordenador de sua campanha. Alternativamente, se Tarcísio optar por disputar a reeleição ao governo de São Paulo, Kassab tentará se posicionar como seu vice, abrindo caminho para assumir o governo paulista em 2030.
“Se reeleito, Tarcísio será um nome natural para a presidência ou o Senado em 2030, e seu vice assumirá o governo, fortalecendo sua posição para disputar a reeleição”, aponta uma fonte ligada ao PSD. Nesse cenário, o projeto político de Kassab não inclui espaço para as pretensões de Eduardo Leite e outros líderes tucanos, como Aécio Neves e Marconi Perillo.
Dificuldades em Goiás
No contexto goiano, a fusão entre os partidos apresenta ainda mais desafios. O PSD em Goiás é liderado pelo senador Vanderlan Cardoso, que não demonstra interesse em apoiar Marconi Perillo para o governo em 2026. Em uma eventual fusão, a disputa pelo controle local será inevitável.
A tendência, segundo analistas políticos, é de um embate direto: Marconi Perillo pode tentar destituir Vanderlan da presidência estadual do PSD, ou o senador, que possui mandato, pode expurgar o tucano. “Quem tem mandato geralmente vence essas disputas internas”, destaca um interlocutor do PSD ao jornal Opção.
Resistência de Kassab
Em reuniões reservadas, Gilberto Kassab tem demonstrado cautela em relação à fusão. Para ele, o movimento só será vantajoso se os líderes tucanos abrirem mão de protagonismo no processo. Como ilustra o ditado popular lembrado por Romário, “a janelinha é dos veteranos, não dos chegantes”.
Sem a garantia de protagonismo ou de benefícios concretos, o PSD não tem muito a ganhar com a fusão, enquanto o PSDB vê no acordo uma tábua de salvação. Resta saber se as negociações evoluirão ou se as diferenças estratégicas colocarão um ponto final na possibilidade de união entre os partidos.