26/01/25
O Partido Liberal (PL) enfrenta mais uma crise interna em Goiás, evidenciando a instabilidade que tem marcado a sigla nos últimos anos. Desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro ingressou no partido, em 2021, a legenda passou por transformações radicais, mas também viu suas divisões internas se aprofundarem, gerando constantes disputas pelo controle político.
Uma avaliação do Jornal Opção aponta que os próximos movimentos do PL em Goiás serão decisivos para definir seu futuro, especialmente com vistas às eleições de 2026. Em um cenário marcado por disputas entre lideranças, o partido parece incapaz de conciliar interesses locais e nacionais, criando um ambiente de incertezas.
A presidência do PL em Goiás é ocupada desde janeiro de 2023 pelo senador Wilder Morais, em substituição a Flávio Canedo, que liderava o partido há quase uma década. A mudança foi imposta pela direção nacional da sigla, gerando atritos com antigos aliados. Wilder assumiu em um momento de desgaste do bolsonarismo, quando escândalos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, como a depredação da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro e investigações da Polícia Federal, fragilizavam sua imagem pública.
A crise se agravou recentemente com a nomeação de Fred Rodrigues, ex-candidato à prefeitura de Goiânia, como vice-presidente do partido em Goiás. Rodrigues substituiu o vereador Vitor Hugo, que foi o mais votado na capital em 2024. A decisão foi unilateral e ignorou consultas à executiva estadual, gerando insatisfação entre os membros do partido.
“Fred Rodrigues teve uma participação política relevante em 2024, enquanto Vitor Hugo não se decidia se seria candidato em Anápolis, Goiânia ou Jataí”, justificou o deputado estadual Paulo Cezar Martins, aliado de Wilder. No entanto, a base do partido não parece ter absorvido bem a mudança, especialmente diante da crescente polarização interna.
O ponto de maior tensão no PL em Goiás é a definição do candidato ao Senado em 2026. Wilder Morais e Vitor Hugo, ambos aliados de Bolsonaro, estão em rota de colisão. A situação se agravou após Vitor Hugo articular um encontro entre Bolsonaro e Daniel Vilela, vice-governador de Goiás e aliado de Ronaldo Caiado (MDB). A movimentação foi repudiada pela direção estadual do PL, que chegou a publicar uma nota oficial criticando o vereador.
Apesar disso, Bolsonaro ainda mantém Vitor Hugo como um de seus aliados preferidos. Em entrevista à rádio AuriVerde, o ex-presidente foi enfático: “A gente vai lançar um candidato por estado do Brasil com o número 222. Não vai ter pechada, não vai ter, cheguei na frente e sou amiguinho. Goiás é a mesma coisa, não é ‘estou na frente’, não é quem o presidente de Goiás quer. Wilder, não é quem você quer. Todo estado vai passar por mim e pelo Valdemar, e nós vamos indicar essas pessoas.”
Essa declaração escancarou o desgaste entre Bolsonaro e Wilder Morais, além de destacar a centralização de decisões na cúpula nacional do PL.
Goiás tem sido um estado estratégico para o PL. O partido conquistou 25 prefeituras em 2024, ficando em terceiro lugar no estado, e obteve 58,7% dos votos para Bolsonaro no segundo turno presidencial de 2022. Além disso, produziu lideranças nacionais como Gustavo Gayer, um dos deputados federais mais populares do partido.
Entretanto, as divisões internas ameaçam esse protagonismo. O histórico recente do PL mostra que, embora a sigla consiga se unir contra adversários externos, como a esquerda, ela frequentemente se fragmenta diante de disputas internas.
O exemplo de Goiás também ilustra como a falta de coesão e planejamento estratégico pode impactar a estabilidade do partido em outros estados. "Quando lideranças como Magda Mofatto e Flávio Canedo deixaram o PL, levaram consigo a base construída em anos de trabalho, deixando o partido em um vácuo de organização", relembra o Jornal Opção.