01/02/25
Em artigo publicado neste sábado, 1º, no jornal O Popular, a jornalista Cileide Alves critica a ostentação e os gastos excessivos dos deputados estaduais de Goiás. A republicação, na quinta-feira, 30, do edital de licitação para a compra de 42 SUVs de luxo para os parlamentares é apontada como um símbolo do esbanjamento que marca a atual legislatura. Desde o início do mandato, em 2023, a Assembleia Legislativa tem registrado um ritmo de gastos sem precedentes.
Um dos pontos destacados no artigo de Cileide é o aumento no número de servidores comissionados, que saltou de 3.720 no quarto trimestre de 2022 para 5.275 no terceiro trimestre de 2024, um crescimento de 41,8%. Se distribuídos igualmente, cada deputado teria 128 comissionados sob sua responsabilidade. Para efeito de comparação, o IBGE considera uma empresa de médio porte aquela com 100 funcionários. Além disso, os deputados ampliaram as diretorias de 15 para 30 e as secretarias de 16 para 48, consolidando uma estrutura administrativa inflada.
A frota de veículos da Assembleia também chama a atenção, conforme a jornalista. São 113 carros, incluindo 41 caminhonetes Ford Ranger (uma para cada deputado), um furgão, um ônibus de médio porte e até um avião compartilhado com o Corpo de Bombeiros. Agora, os parlamentares planejam substituir as caminhonetes, adquiridas em 2023 por R$ 9,3 milhões, por 41 SUVs de luxo, ao custo de R$ 16,8 milhões. As caminhonetes seminovas serão doadas a prefeituras, em uma decisão que reforça a imagem de descompromisso com o interesse público.
Outro ponto criticado é a criação de uma gratificação de R$ 11 mil no fim de 2023, que elevou o salário dos deputados de R$ 39.496,70 para R$ 50.498,90, superando até o valor pago aos deputados federais. A manobra burla a lei, que estabelece que a remuneração dos estaduais corresponde a 75% do salário dos federais.
A jornalista também questiona o silêncio do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Ministério Público de Goiás (MP-GO) diante desses gastos. Enquanto isso, o MP-GO pagou R$ 28 milhões em verbas indenizatórias a seus membros em dezembro, um aumento de R$ 10 milhões em relação ao mês anterior. Conforme revelado por O Popular, 32 integrantes do MP-GO receberam mais de R$ 150 mil no mesmo mês, valores que ultrapassam o teto constitucional de R$ 46 mil.
Cileide Alves ainda lembra que o MP-GO não tomou medidas contra a gratificação extra ilegal dos deputados, nem investigou a destinação de emendas parlamentares para ONGs suspeitas ou o excesso de comissionados no Legislativo. “Como investigar outro poder se lá também se criam benefícios salariais?”, questiona a jornalista, citando a reflexão de Fabiana Pulcineli, da CBN Goiânia.