Goiânia, 04/04/2025
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Aava Santiago mantém silêncio sobre investigações que atingem Marconi Perillo

07/02/25

Mesmo após 24 horas da deflagração da Operação Panaceia, que investiga supostos desvios de recursos públicos na Secretaria de Saúde de Goiás (SES-GO) durante os governos de Marconi Perillo (PSDB), a vereadora Aava Santiago segue em silêncio absoluto sobre o assunto. Filada ao mesmo partido do ex-governador e uma de suas principais defensoras, Aava não fez nenhuma declaração sobre as acusações que recaem sobre seu padrinho político.

Nas redes sociais, onde costuma se posicionar sobre temas éticos e de gestão pública, a parlamentar optou por ignorar o caso e, em vez disso, publicou um vídeo sobre um café da manhã realizado com servidores de seu gabinete na Câmara Municipal de Goiânia, em uma tentativa de ignorar as investigações sobre supostas irregularidades em gestões tucanas.

A investigação, conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), aponta que o desvio de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) teria ocorrido entre 2012 e 2018, período em que Marconi Perillo comandava o estado. O esquema, segundo as apurações, envolvia contratos suspeitos firmados pela organização social Instituto Gerir, responsável pela administração de hospitais estaduais.

Conforme o que já foi apurado pela polícia, a entidade teria contratado o escritório do advogado João Paulo Brzezinski, defensor de Marconi, para a prestação de serviços jurídicos. Como parte da operação, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, incluindo na residência do ex-governador, e bloqueados R$ 30 milhões em bens dos investigados.

 

Aava ignora escândalos

A postura de Aava Santiago em relação ao escândalo contrasta com suas declarações anteriores sobre o ex-governador. A vereadora, que sempre fez questão de reforçar sua proximidade com Marconi Perillo, já chegou a afirmar em entrevista que o estado de Goiás "sente falta" do tucano.

"O goiano tem critérios práticos de avaliação e de comparação e esses critérios, do ponto de vista dos índices de desenvolvimento da política pública, colocam o Marconi numa posição muito vantajosa, muito confortável para tentar qualquer cargo que ele queira em 2026", disse Aava.

No entanto, ao exaltar o ex-governador, a vereadora ignorou a série de investigações e escândalos que marcaram os mandatos de Marconi. O tucano foi citado na Operação Monte Carlo, que revelou ligações com o contraventor Carlinhos Cachoeira, além de ter sido alvo de outras operações como Decantação 1 e 2, Cash Delivery e Compadrio, todas relacionadas a suspeitas de desvios de dinheiro público.

Durante a Operação Lava Jato, Marconi apareceu nas planilhas da Odebrecht sob os codinomes “Patati”, “Padeiro” e “Master”, que seriam referências a repasses ilegais da empreiteira para campanhas eleitorais. Em 2021, o próprio ex-governador admitiu o uso de caixa dois na campanha de 2014. Pelo Operação Cash Delivery, Marconi chegou a ser preso pela Polícia Federal.


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