09/02/25
A política é uma arte que exige equilíbrio entre emoção e razão. Candidatos que se guiam apenas pela intuição podem até conquistar vitórias pontuais, mas tendem a não sustentar seu sucesso em longo prazo, conforme análise do jornal Opção. No cenário atual, as eleições são definidas não apenas por alianças e estratégias tradicionais, mas também pelo uso criterioso de pesquisas qualitativas e quantitativas.
O candidato que pretende disputar um cargo majoritário precisa de um mapeamento completo do cenário político e um diagnóstico preciso das demandas da sociedade. Mais do que isso, deve entender quais alianças são viáveis e quais são os “humores” do eleitorado.
Nesse contexto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já se movimenta para 2026, preparando uma reforma ministerial que tem menos foco na administração e mais na articulação político-eleitoral. Lula busca ampliar sua base de apoio, mirando especialmente no centro político, que será decisivo na eleição presidencial, a pouco mais de um ano e meio de distância.
Lula tem demonstrado habilidade política ao tentar absorver parte da centro-direita e até mesmo fragmentos da direita. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atento a essa movimentação, percebeu que Lula tem conseguido alguma penetração no meio evangélico, um segmento historicamente inclinado ao bolsonarismo.
O presidente não espera conquistar 50% desse eleitorado, mas sabe que, ao reduzir a vantagem de Bolsonaro entre os evangélicos, pode enfraquecer seu principal adversário. Para isso, Lula pretende intensificar suas viagens pelo Brasil, sempre acompanhado da primeira-dama, Janja. O objetivo é triplo: se reapresentar ao eleitorado, demonstrar que acompanha de perto a situação dos estados e reforçar que sua saúde não será um entrave para uma eventual candidatura à reeleição.
Pesquisas internas do PT apontam que essa guinada ao centro pode ser determinante para 2026. Por isso, Lula busca moldar seu governo para refletir menos as diretrizes do PT e mais sua própria identidade política, ampliando seu espectro de alianças. O movimento revela uma estratégia bem planejada e respaldada por análises políticas e científicas.
Fracasso do PL
Enquanto Lula fortalece sua base, o Partido Liberal, de Jair Bolsonaro, enfrenta um cenário desafiador. Se o presidente petista atua com pragmatismo e pouca preocupação ideológica, o PL ainda não encontrou um caminho claro para se reposicionar após uma série de derrotas significativas nas eleições municipais de 2024.
Sem abrir espaço para alianças e apostando em um discurso radical, o partido saiu enfraquecido do pleito. O isolamento político prejudicou seus candidatos em diversas cidades estratégicas de Goiás, resultando em derrotas expressivas:
- Goiânia: Fred Rodrigues (PL) chegou ao segundo turno em primeiro lugar, mas perdeu para Sandro Mabel (União Brasil). Mabel ampliou sua votação em 163.243 votos, enquanto Rodrigues cresceu apenas 68.801 votos no segundo turno.
- Aparecida de Goiânia: Leandro Vilela (MDB) derrotou o deputado Professor Alcides (PL) com ampla vantagem (63,60% contra 36,40%). O erro estratégico do PL foi tentar nacionalizar uma eleição municipal, uma abordagem que historicamente não funciona em Goiás.
- Rio Verde: O candidato do PL obteve apenas 24.805 votos (22,46%), enquanto Wellington Carrijo (MDB) venceu com 62,67% dos votos.
- Luziânia: O fracasso foi ainda mais evidente. O prefeito Diego Sorgatto (União Brasil) foi reeleito com 75,32% dos votos, enquanto o candidato do PL ficou com apenas 13,37%.
Além disso, em Anápolis, Márcio Corrêa venceu, mas sua ligação com o PL é tênue, sendo muito mais próximo do chamado "Partido do Daniel" (do vice-governador Daniel Vilela). O prefeito de Novo Gama, Carlinhos do Mangão, também sinaliza uma possível saída do PL, o que pode enfraquecer ainda mais a legenda.
Aliança com Daniel Vilela e Gracinha Caiado
O PL pode ter aprendido a lição com a derrota de 2024. Seus principais nomes em Goiás — como o senador Wilder Morais, o deputado federal Gustavo Gayer, o vereador Major Vitor Hugo e o ex-deputado Fred Rodrigues — não são ingênuos e devem evitar repetir os erros estratégicos cometidos no pleito municipal.
A grande questão para o partido é: seguirá uma estratégia isolacionista, como em 2024, ou buscará uma aliança pragmática para 2026?
A opção mais racional para o PL é uma composição com o MDB de Daniel Vilela e com Gracinha Caiado (União Brasil), que já está confirmada como candidata ao Senado. Esse arranjo político poderia garantir ao PL uma candidatura forte ao Senado e o fortalecimento de sua bancada na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de Goiás.
Com Daniel Vilela praticamente consolidado como candidato ao governo e Gracinha Caiado disputando o Senado, ainda restam duas peças importantes no tabuleiro: a vaga de vice-governador e a segunda candidatura ao Senado.
A disputa pela vice já está acirrada, com nomes como Adriano Rocha Lima, Célio Silveira, Diego Sorgatto, Gustavo Mendanha, José Mário Schreiner, Paulo do Vale e Pedro Sales pleiteando o posto.
Já para o Senado, caso o PL decida compor com Daniel Vilela, a vaga poderá ficar entre Gustavo Gayer e Major Vitor Hugo, embora o nome do cantor Gusttavo Lima também seja especulado.
Caso essa chapa se concretize — com Daniel Vilela (governador), Adriano Rocha Lima (vice), Gracinha Caiado (senadora) e Gustavo Gayer ou Major Vitor Hugo (senador) —, a disputa pode se encerrar já no primeiro turno.
Futuro do PL
Em 2024, a falta de pragmatismo e a aposta em candidaturas isoladas reduziram o tamanho do PL em Goiás. Em 2026, o partido terá uma nova oportunidade de se reposicionar, mas isso exigirá um realinhamento estratégico.
Wilder Morais, que pode se tornar uma peça-chave nessa equação, tem uma decisão a tomar: agirá com a visão estratégica de Tancredo Neves, que sempre soube construir alianças, ou repetirá os erros de Severino Cavalcanti, cuja trajetória política foi marcada pela falta de planejamento?
O cenário para 2026 ainda está em construção, mas uma coisa é certa: sem alianças sólidas, o PL corre o risco de se tornar um partido irrelevante no tabuleiro político goiano.