09/02/25
O nome de Marconi Perillo (PSDB) voltou às manchetes na última semana, e, mais uma vez, por razões nada positivas. O ex-governador de Goiás e atual presidente nacional do PSDB foi alvo da Operação Panaceia, uma ação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) que investiga desvio de recursos na saúde entre 2012 e 2018, período em que comandava o Estado.
As investigações apontam irregularidades em contratos de uma Organização Social (OS) responsável por gerir dois hospitais. Segundo a PF, a OS teria servido de fachada para beneficiar empresas de políticos, permitindo que os valores pagos pelo governo retornassem aos gestores públicos que autorizaram os contratos. Como parte da operação, agentes da PF cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência de Perillo em Goiânia, localizada em um condomínio de luxo. No entanto, o tucano estava em São Paulo no momento da ação.
Em resposta às ações da PF, Marconi Perillo negou as acusações e alegou estar sendo alvo de um ataque político. "Não tem um único centavo em minhas contas e de minha família que não seja oriundo do meu trabalho e declarado no Imposto de Renda. Estão tentando criminalizar movimentações lícitas e legais e todas declaradas aos órgãos competentes. Isso é um absurdo!", afirmou em nota enviada à imprensa.
A postura de negar os fatos e se dizer perseguido é comum entre figuras públicas que se veem envolvidas em investigações. Contudo, no caso de Marconi Perillo, a estratégia foi além do discurso padrão de defesa. Buscando minimizar os impactos negativos da Operação Panaceia, o ex-governador atribuiu a culpa ao governo estadual, liderado por Ronaldo Caiado (União Brasil).
Em declaração, Perillo afirmou: "Mesmo esperando uma reação aos meus vídeos de denúncias por parte do grupo comandado por Caiado e que hoje domina Goiás e suas instituições, não imaginava que eles, mais uma vez, ousassem usar o poder do Estado para me perseguir, constranger e tentar calar".
O argumento do tucano, porém, é facilmente refutado. A Operação Panaceia foi autorizada pela Justiça Federal e conduzida por órgãos federais, como a CGU e a PF, além de ter sido embasada em dados de auditorias realizadas pela União. Ou seja, Perillo sugere que o governo estadual teve influência direta sobre instituições que estão sob a jurisdição do governo federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também adversário de Caiado. Se houvesse alguma ingerência política, as evidências apontariam em outra direção.
Como lembrou o jornal Opção em análise recente, a rivalidade entre Marconi Perillo e Ronaldo Caiado é antiga e bem conhecida na política goiana. No entanto, tentar ligar o governador goiano a uma operação de âmbito federal revela um desespero pouco convincente. Além disso, a tentativa de politizar a investigação não altera o cerne das acusações contra Perillo.
Em sua tentativa de inverter a narrativa, o ex-governador revive um personagem que já usou em outras oportunidades: o de perseguido político. Contudo, a estratégia não encontra respaldo nos fatos e se assemelha à lógica infantil de Homer Simpson, personagem icônico do desenho animado "Os Simpsons". Em um episódio clássico, ao ser confrontado por sua filha Lisa sobre suas próprias ações, Homer responde: "Lisa, a culpa é minha e eu coloco em quem eu quiser".