Goiânia, 04/04/2025
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Morte no corredor de ônibus expõe desafios do trânsito, mas não invalida a medida

09/02/25

O trânsito de Goiânia registrou, na última semana, a primeira morte desde a liberação das faixas exclusivas de ônibus para motocicletas. O professor que perdeu a vida ao trafegar nesses corredores foi vítima de um acidente que, embora trágico, não deve ser o último. A realidade do trânsito da capital goiana é violenta, especialmente para motociclistas, ciclistas e pedestres. O desrespeito às leis, aliado a imprudências como o uso do celular ao dirigir e a embriaguez ao volante, transforma o cotidiano dos mais vulneráveis em um constante risco de vida.

A ideia de permitir motocicletas nos corredores de ônibus foi inicialmente debatida ainda na fase de pré-campanha do atual prefeito Sandro Mabel (UB). Durante um encontro informal, manifestei preocupações sobre a medida, destacando a visibilidade reduzida dos ônibus como um dos principais desafios. No entanto, ao assumir a gestão, Mabel avançou com a proposta, amparado por experiências positivas de outras grandes cidades, onde a medida foi implementada com êxito.

A experiência de trafegar pelos corredores de ônibus trouxe mudanças significativas para os motociclistas. Antes, a opção era surfar entre os carros em trânsito lento ou parado, enfrentando motoristas que mudam de faixa sem aviso, carros que ocupam espaços indevidos e situações de risco iminente. Nessas condições, qualquer freada brusca podia resultar em acidentes graves, tornando a circulação ainda mais perigosa.

A realidade que motivou a liberação dos corredores para motos é clara: o trânsito da cidade já é hostil para motociclistas, e estar confinado entre dois veículos muitas vezes representa um risco maior. A mudança, portanto, não surge como uma solução perfeita, mas como uma alternativa para reduzir os perigos enfrentados diariamente por quem utiliza motos para se locomover.

Com o aumento constante do número de motocicletas em Goiânia, impulsionado pelo crescimento do setor de entregas e pela busca por meios de transporte mais econômicos e ágeis, a adaptação do trânsito à nova realidade se tornou essencial. A liberação das faixas de ônibus para motos tem ajudado a melhorar a distribuição do fluxo de veículos, reduzindo os congestionamentos e minimizando a necessidade de manobras arriscadas entre os carros.

É evidente que a atenção de todos os condutores deve ser redobrada. Motoristas precisam se habituar a verificar o retrovisor direito com mais frequência, enquanto motociclistas devem se manter atentos aos veículos que podem cruzar a faixa de ônibus para acessar outras vias. Apesar dos desafios, a medida tem se mostrado funcional, com motociclistas utilizando o corredor de forma estratégica, especialmente em momentos de trânsito travado ou quando é necessário manter a fluidez.


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