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Advogado investigado pela PF e ligado a Marconi fala sobre as acusações

09/02/25

O advogado João Paulo Brzezinski da Cunha se pronunciou sobre as investigações da Operação Panaceia, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para apurar possíveis desvios de recursos da Saúde em Goiás. A investigação mira o Instituto Gerir, organização social (OS) que administrou dois hospitais estaduais entre 2012 e 2018, e examina contratos da entidade intermediados pelo escritório de advocacia e por uma empresa de consultoria de Brzezinski. O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) também é um dos investigados.

Uma das principais suspeitas envolve superfaturamento contratual, a não prestação de serviços e repasses financeiros a familiares de Perillo. Brzezinski, no entanto, rebate as alegações. “O delegado não estabeleceu nenhum parâmetro para afirmar que o contrato foi superfaturado. Poderia ter comparado com contratos de outros escritórios que atuaram para organizações sociais, mas isso não foi feito”, argumentou ao portal Mais Goiás. Segundo ele, o contrato previa pagamentos de R$ 30 mil mensais, e seu escritório atuou em aproximadamente 800 processos judiciais.

“Esses processos estão disponíveis no site do Tribunal de Justiça para consulta. Além disso, houve serviços internos, como elaboração de contratos, pareceres, participação em reuniões e assembleias, e gestão de processos administrativos”, explica Brzezinski, acrescentando que apresentou no inquérito a relação dos 12 advogados envolvidos nos trabalhos.

A Controladoria-Geral da União (CGU) apontou três repasses a familiares de Perillo, somando R$ 153 mil. Em resposta, Brzezinski detalha que um dos valores, R$ 35 mil, foi destinado a Antônio Pires Perillo, irmão do ex-governador, em honorários advocatícios por serviço prestado em 2010. Outro repasse, de R$ 18 mil, foi feito à filha do ex-governador em decorrência de um caso de extravio de bagagem, no qual recebeu R$ 20 mil via alvará judicial e transferiu o valor com 10% de desconto relativo aos honorários. Por fim, R$ 100 mil foram repassados à esposa de Marconi, Valéria Perillo, como um empréstimo pessoal que foi devolvido em três parcelas entre fevereiro e abril de 2019.

Operação Panaceia
A Operação Panaceia, realizada em conjunto com a CGU, cumpriu dez mandados de busca e apreensão em Goiânia e um em Brasília. A 11ª Vara Federal também determinou o bloqueio de R$ 28 milhões dos investigados. O Instituto Gerir administrou o Hospital de Urgência de Goiânia (Hugo) e o Hospital Estadual de Trindade (Hutrin) até 2018, mas não possui vínculo com a atual gestão estadual.

Segundo as investigações, os desvios ocorriam por meio da subcontratação de empresas ligadas a políticos e gestores da OS, que supostamente repassavam parte dos valores a agentes públicos, o que configura irregularidade. Durante a operação, a residência de Marconi Perillo também foi alvo de buscas. O ex-governador classificou a ação como "encomendada" e atribuiu a investigação à gestão do governador Ronaldo Caiado (UB), afirmando que se trata de “perseguição política”.

“Mesmo esperando retaliações pelas minhas denúncias contra o grupo político de Caiado, não imaginava que eles ousariam usar o poder do Estado para me perseguir e tentar me calar”, declarou Perillo em nota. Ele ressalta que a PF está subordinada ao governo federal, não tendo qualquer relação com Caiado.

O Instituto Gerir, por sua vez, afirmou que não aceitará ser alvo de “perseguição ou manobras de retaliação” e classificou a operação como “juridicamente insustentável”, alegando que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) já havia reconhecido “excesso de prazo nas investigações”.

Resposta do governo
Em resposta às declarações de Perillo, o governo estadual divulgou nota classificando sua defesa como "piada". “O ex-governador não apresenta justificativas para as graves denúncias e tenta desviar o foco atacando Ronaldo Caiado. Ele tenta criar uma cortina de fumaça para encobrir desvios de recursos investigados pela PF e CGU”, diz o comunicado. “O governador Ronaldo Caiado não responderá ao investigado. Quem deve explicações à Justiça é ele”, finaliza a nota.


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