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MPF aponta ex-assessor de Marconi Perillo em esquema de desvio de dinheiro da saúde

09/02/25

O Ministério Público Federal (MPF) identificou o advogado João Paulo Brzezinski, ex-assessor de Marconi Perillo, como peça-chave em um esquema de desvio de recursos da saúde pública de Goiás. De acordo com as investigações, os desvios teriam ocorrido entre 2012 e 2018, envolvendo fraudes, superfaturamento e lavagem de dinheiro.

A Operação Panaceia revelou que Brzezinski transferiu valores expressivos para pessoas próximas ao ex-governador, incluindo sua esposa e seu irmão. O advogado também estaria ligado a empresas de consultoria e holdings pertencentes a ex-agentes políticos que participaram da terceirização da saúde no estado. O MPF questiona a legalidade dos serviços prestados e aponta indícios de contratações irregulares e subexecução de contratos.

Um dos principais alvos da investigação é a Organização Social (OS) Instituto Gerir, responsável pela administração de dois hospitais estaduais durante o período analisado. O escritório de Brzezinski teria recebido R$ 2,6 milhões da entidade entre 2015 e 2016, enquanto a OS declarou apenas R$ 1 milhão na prestação de contas. Além disso, o advogado teria recebido aproximadamente R$ 4,5 milhões adicionais da instituição.

Operação Panaceia
Na manhã da última quinta-feira, 6, a Polícia Federal tentou cumprir um mandado de busca e apreensão na residência de Marconi Perillo, em Goiânia. No entanto, segundo informações da CNN Brasil, o ex-governador estava em São Paulo no momento da ação.

A Operação Panaceia, conduzida pelo MPF em parceria com a Controladoria-Geral da União, investiga crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Foram expedidos 11 mandados de busca e apreensão – dez em Goiânia e um em Brasília. A Justiça Federal determinou ainda o bloqueio de mais de R$ 28 milhões dos investigados.

Segundo a Polícia Federal, o esquema funcionava por meio da contratação de empresas ligadas a políticos e administradores da OS responsável pela gestão hospitalar. Parte dos valores pagos a essas empresas retornava aos gestores e políticos, configurando um desvio ilegal de verbas públicas.

O MPF aponta que Brzezinski foi beneficiado por contratos com nove outras OSs que administravam hospitais estaduais. Apenas do Instituto Gerir, o escritório do advogado recebeu R$ 4,79 milhões entre 2013 e 2018. Um grupo de empresas vinculadas a ele movimentou R$ 7,42 milhões no período de 2012 a 2018.

Marconi Perillo negou qualquer envolvimento no esquema e classificou as investigações como “perseguição”. A defesa do ex-governador declarou que não há qualquer inquérito formal contra ele ou sua família e que as acusações são infundadas.


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