14/02/25
Uma auditoria da Secretaria de Saúde de Goiânia (SMS) revelou que, nos últimos dois anos da gestão do ex-prefeito Rogério Cruz (SD), pelo menos 13 emendas parlamentares destinadas a hospitais e entidades filantrópicas não chegaram ao destino final. O caos na saúde da capital, agravado desde o início de 2024, expõe a falta de repasses de recursos provenientes da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Câmara dos Deputados e Senado Federal.
De acordo com o prefeito Sandro Mabel (UB), apenas do senador Vanderlan Cardoso (PSD), R$ 23 milhões deveriam ter sido repassados para a Saúde, mas acabaram retidos no Paço Municipal, especialmente durante a gestão do ex-secretário Wilson Pollara, que foi preso por irregularidades na administração da pasta.
Entre os casos mais alarmantes está o do Hospital Araújo Jorge, referência no combate ao câncer na região Centro-Oeste. Vanderlan destinou R$ 1,3 milhão para ampliar o atendimento da unidade, mas os recursos nunca foram repassados. Segundo a SMS, 84% das emendas federais destinadas ao hospital nos últimos dois anos não chegaram aos cofres da instituição.
Em entrevista à TV Anhanguera, Mabel afirmou estar reunindo documentos para apresentar ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e ao Ministério Público de Goiás (MPGO), que deverão investigar o paradeiro dos valores. “As emendas chegaram à prefeitura, mas foram para algum lugar que não foi o destino correto. Eles [gestão Rogério Cruz] trabalhavam com o dinheiro por três, quatro meses, e nós não, temos cinco dias para repassar”, declarou o prefeito.
O problema não se limitou ao Araújo Jorge. A Santa Casa de Misericórdia também deixou de receber R$ 14 milhões. De três emendas que totalizam mais de R$ 3 milhões, apenas uma foi paga, enquanto duas foram canceladas. Os recursos seriam utilizados para ampliar o número de cirurgias e modernizar a rede elétrica da unidade.