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Gustavo Gayer defende anistia, mas nega existência de crime

15/02/25

No mesmo dia em que a rondoniense Vanessa Vieira, esposa de um dos presos do 8 de janeiro e mãe de seis filhos, fez um apelo emocionado ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pedindo “misericórdia”, um novo movimento ganhou força para pressionar o Congresso a conceder anistia aos manifestantes detidos.

Uma petição online foi lançada na última segunda-feira, 10, pelo deputado federal Gustavo Gayer (PL) e, em menos de três dias, já contava com mais de 150 mil assinaturas. Ao anunciar o abaixo-assinado, Gayer afirmou que a mobilização tem o objetivo de mostrar que a população não aceita mais o que considera injustiças.

"Temos que passar a mensagem clara de que a maioria da população não aguenta mais ver essas injustiças", declarou o deputado em um vídeo publicado nas redes sociais. Ele criticou as penas impostas aos envolvidos nos atos do 8 de janeiro, alegando que há "pessoas condenadas a 17 anos sem nunca terem cometido nenhum crime, sem nunca sequer terem ido a uma delegacia de polícia". Segundo ele, "muitos filhos estão órfãos de pais vivos, e isso tem que acabar".

Anistia
De acordo com Gayer, a pauta da anistia se tornou prioridade para os deputados da oposição e conta com o apoio de Hugo Motta. Para o parlamentar, essa seria a razão pela qual "a esquerda, o sistema e a imprensa não perderam tempo em atacá-lo diariamente e criar campanhas nas redes sociais pedindo arquivamento da pauta da anistia". Ele reforçou o apelo para que a sociedade participe do abaixo-assinado: "Peço para que você faça sua parte".

A campanha tem mobilizado outros parlamentares, como o deputado Zé Trovão (PL-SC), que também divulgou o abaixo-assinado em suas redes sociais. "O Brasil não pode fechar os olhos para a injustiça!", afirmou. Em sua publicação, ele denunciou que "centenas de brasileiros seguem presos injustamente, sem o devido processo legal, sem direitos básicos e sendo tratados como criminosos apenas por se manifestarem".

Petição
O abaixo-assinado menciona casos como o da cabeleireira Débora Rodrigues, presa há 23 meses por ter escrito a frase "perdeu, mané" com batom na estátua "A Justiça", localizada em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar de ter enviado uma carta de desculpas ao ministro Alexandre de Moraes, a mulher segue presa.

Outro caso destacado é o do comerciante Cleriston Pereira Santos, que morreu no Complexo Penitenciário da Papuda em novembro de 2023. Ele deixou esposa e duas filhas. Segundo a petição, advogados haviam solicitado liberdade provisória por questões de saúde, com a Procuradoria-Geral da República emitindo parecer favorável à soltura, mas o pedido foi negado e ele morreu enquanto estava encarcerado.


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