16/02/25
A atual gestão da Prefeitura de Aparecida de Goiânia revelou um rombo financeiro superior a R$ 425 milhões, herdado da administração do ex-prefeito Vilmarzinho Mariano. A informação foi divulgada pelo novo secretário da Fazenda, Carlos Eduardo de Paula Rodrigues, que também revelou a descoberta de 248 processos engavetados, totalizando R$ 95 milhões em dívidas.
Um dos pontos mais críticos da crise financeira envolve o pagamento dos servidores. No último mês de sua gestão, Vilmarzinho optou por destinar R$ 135 milhões a fornecedores, em vez de quitar a folha de dezembro, estimada em R$ 58 milhões com encargos. A decisão deixou milhares de funcionários sem salário e gerou uma denúncia formal ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), que investigará a destinação desses recursos.
Além dos salários atrasados, a nova gestão identificou uma série de dívidas não quitadas em setores essenciais:
- Subsídio do transporte coletivo: R$ 25,5 milhões;
- Gestão Albert Einstein do Hospital Municipal de Aparecida: R$ 24 milhões em aberto;
- Coleta de lixo e manutenção de serviços urbanos: valores pendentes não divulgados;
- Débito com o provedor de internet da Prefeitura: R$ 1,2 milhão, resultando no corte da conexão.
O prefeito Leandro Vilela lamentou a situação e criticou a postura do antecessor. “É uma falta de respeito o que fizeram com os servidores, que são a nossa prioridade número um neste momento. Infelizmente, não há previsão para a entrada desses recursos, mas assim que tivermos condições, honraremos esse compromisso que o prefeito anterior não teve a honradez de cumprir”, afirmou.
Para Vilela, os problemas financeiros acumulados nos últimos anos fizeram a cidade regredir em termos de infraestrutura e gestão pública. “Aparecida retrocedeu 30 anos em três. Pela primeira vez em 15 anos, o salário não é pago dentro do mês trabalhado, desconstruindo toda a saúde financeira que foi marca dos governos de Maguito Vilela e Gustavo Mendanha”, criticou o prefeito. Apesar da crise, ele garantiu que medidas emergenciais já foram tomadas para retomar serviços essenciais, como limpeza urbana e recuperação do asfalto.
Corte de gastos
Diante do cenário crítico, a nova administração anunciou um plano de contenção de despesas para equilibrar as contas do município. Segundo o secretário da Fazenda, Carlos Eduardo de Paula Rodrigues, as principais ações incluem:
- Redução de 30% no quadro de servidores comissionados;
- Corte de gastos com água e energia em prédios públicos;
- Renegociação de contratos e parcelamento de dívidas com fornecedores;
- Revisão minuciosa das despesas para identificar possíveis superfaturamentos.
“Estamos diante de uma equação econômica difícil de resolver em curto prazo. Mas já estamos revisando, com lupa, cada fatura paga e não paga para verificar se houve superfaturamento”, destacou o secretário.
Com o rombo financeiro formalmente comunicado ao TCM, a expectativa agora é que providências sejam tomadas contra os responsáveis pela antiga administração.