19/02/25
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou nesta terça-feira (18) o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 33 pessoas por tentativa de golpe de Estado em 2022. Além das acusações de conspiração para se manter no poder, a investigação da Polícia Federal aponta que Bolsonaro tinha conhecimento de um plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Bolsonaro é acusado de cinco crimes: organização criminosa armada, abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Segundo a PGR, ele liderava uma organização criminosa "baseada em projeto autoritário de poder" e "com forte influência de setores militares".
De acordo com o inquérito, o ex-presidente e seus aliados atuaram para deslegitimar o sistema eleitoral, redigir um decreto que daria aparência de legalidade ao golpe, pressionar a alta cúpula militar a aderir ao plano e incitar um motim em Brasília.
Entre os denunciados está o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice na chapa de Bolsonaro, que já foi preso por obstrução de investigações. Nunca antes um general de quatro estrelas do Brasil havia sido encarcerado.
A denúncia representa um marco na história política do país, colocando Bolsonaro e aliados no centro de um processo que pode levá-los a condenações por crimes contra a democracia.