26/02/25
O ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Vilmar Mariano, o Vilmarzinho, garantiu em sua gestão que um empréstimo de US$ 120 milhões (cerca de R$ 700 milhões) do New Development Bank (NDB), o banco do BRICS, impulsionaria a infraestrutura do município. No entanto, passados anos desde o anúncio e após muita comemoração, a verba ainda não foi liberada e enfrenta entraves que podem impedir sua concretização.
O financiamento foi aprovado pela Câmara Municipal de Aparecida em 2021 e pela Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex). Em julho de 2023, o NDB deu o aval para a operação, momento em que Vilmarzinho celebrou como se o dinheiro já estivesse garantido. “Esse empréstimo é uma conquista histórica e impulsionará o desenvolvimento da cidade”, afirmou na época.
O plano previa investimentos na construção de pontes e viadutos, remodelação de parques, pavimentação total da malha viária e ampliação da rede de educação infantil e primária. A Prefeitura também entraria com uma contrapartida de US$ 30 milhões, totalizando quase R$ 1 bilhão em investimentos.
O maior impasse agora é a autorização da União, que avalia a Capacidade de Pagamento (Capag) dos estados e municípios antes de garantir financiamentos. Aparecida de Goiânia enfrenta um problema crítico: recebeu a classificação "Eicf" – a pior do Ranking da Qualidade da Informação Contábil e Fiscal – devido à ausência de dados sobre dívida consolidada líquida e despesas com pessoal no Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi).
Técnicos da atual gestão afirmam que a documentação tem sido enviada regularmente, mas temem que, quando a Capag for calculada, Aparecida receba nota C ou D, o que impossibilitaria a contratação do crédito. Apenas municípios com notas A ou B podem obter operações com garantias da União.
Diante desse cenário, a Prefeitura tenta destravar o empréstimo por vias judiciais, mas as chances de sucesso são incertas. Enquanto isso, a promessa de Vilmarzinho segue sem cumprimento e o endividamento herdado de sua gestão – estimado em R$ 425 milhões – continua a impactar a cidade.