10/03/25
Uma grave denúncia de assédio sexual e moral dentro da Secretaria Municipal de Meio Ambiente da cidade de Goiás voltou à tona após um vídeo divulgado pela ex-servidora Lorrany Rodrigues nas redes sociais, no sábado (8). No material, ela relata abusos que teria sofrido enquanto trabalhava na pasta em 2023.
O caso envolve o então Secretário de Meio Ambiente, que chegou a ser afastado pela Prefeitura à época, mas foi reconduzido ao cargo em 2025, gerando grande repercussão. No vídeo, Lorrany detalha situações constrangedoras e avanços inapropriados por parte do Secretário. “Eu fui assediada presencialmente. Ele vinha para cima de mim, e eu fiquei muito nervosa”, afirmou ao Jornal Opção.
Segundo Lorrany, após o primeiro episódio, ela passou a receber mensagens de teor sexual e temia represálias caso denunciasse. "Eu sabia que, se falasse não, poderia ser trocada de pasta ou até mesmo demitida", declarou. Em seguida, foi transferida para o Conselho Tutelar, vinculado à Secretaria da Mulher, mas relata que não recebeu o suporte necessário para lidar com os traumas. "A Prefeitura me deixou abandonada, sem apoio psicológico adequado", desabafou. Lorrany foi exonerada em dezembro de 2024. Com o retorno do Secretário ao cargo, ela afirma ter vivido um momento de extremo sofrimento
“Foi um dos dias mais horríveis da minha vida, porque tive uma crise de ansiedade”, relatou. Segundo a ex-servidora, em uma reunião com o setor jurídico da Prefeitura, recebeu uma proposta para retirar a ação judicial em troca de uma possível reintegração ao funcionalismo municipal. "Eu não aceito que minha dignidade seja comprada. Confio na Justiça, e o processo vai seguir", afirmou.
Prefeitura se manifesta
Em nota oficial, a Prefeitura de Goiás afirmou ter tomado as providências necessárias quando o caso veio à público em 2023, afastando e exonerando o Secretário. A gestão também destacou que Lorrany recebeu atendimento do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) e permaneceu na administração até dezembro de 2024.
Sobre a recondução do Secretário em 2025, a Prefeitura argumentou que não há relação entre a decisão e os fatos anteriores, uma vez que a ex-servidora já não fazia mais parte do quadro funcional. A nota reforça ainda que a gestão municipal respeita o andamento do processo judicial e não interferirá em sua tramitação. "Esta gestão reafirma que não compactua com qualquer tipo de violação aos direitos das mulheres e tem clareza do dever de garantir a efetivação desses direitos", conclui o comunicado.