15/03/25
Os gastos da Prefeitura de Goiânia com folha de pagamento aumentaram R$ 145 milhões durante a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz (SD). Em janeiro de 2021, a despesa era de R$ 246 milhões, mas chegou a R$ 391 milhões em novembro de 2024, com um pico de R$ 404 milhões em junho do mesmo ano, período eleitoral.
Esse crescimento foi impulsionado pela reestruturação de carreiras de sete categorias, reajustes salariais, criação de benefícios e o pagamento de recomposição salarial. Em nota, a assessoria do ex-prefeito justificou que o aumento reflete uma "política de valorização funcional", que incluiu a atualização de planos de cargos e salários, além da concessão de auxílios e gratificações para servidores da educação, guardas civis e agentes de trânsito.
A administração Cruz, conforme levantamento do jornal O Popular, ainda aplicou cinco datas-bases nos salários dos servidores, com percentuais de 9,32%, 12,13%, 4,18% e 3,69% entre 2020 e 2024. Entre as medidas destacadas pela gestão, estão a correção de remunerações, a atualização do piso dos professores e o restabelecimento do quinquênio.
Embora a Prefeitura tenha reduzido o número total de servidores de 50 mil para 48 mil entre 2021 e 2024, a quantidade de cargos comissionados cresceu significativamente. A gestão começou com 694 comissionados, mas o número dobrou entre junho e agosto de 2024, chegando a 1,4 mil, e terminou com 1,2 mil. A administração ficou marcada pela distribuição de cargos em troca de apoio político na Câmara Municipal.
O aumento das despesas com pessoal foi um dos fatores que agravaram a crise financeira da Prefeitura em 2024. Segundo membros da antiga Secretaria Municipal de Finanças, já em junho daquele ano havia a necessidade de reduzir gastos, mas as medidas só começaram a ser implementadas em outubro, após a derrota de Cruz nas eleições. As ações incluíram renegociação de contratos, cortes de despesas e aumento na arrecadação.
A nova administração do prefeito Sandro Mabel (UB) enfrenta o desafio de administrar o impacto do aumento da folha, além da situação financeira da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). A Prefeitura deverá assumir todas as dívidas da empresa pública, incluindo a folha salarial, que em fevereiro de 2025 somou R$ 23 milhões.
Em 2024, a Prefeitura destinou 46,1% da receita corrente líquida (RCL) para despesas com pessoal. Com a inclusão da folha da Comurg, esse percentual pode ultrapassar o limite prudencial de 51,3% determinado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o que pode trazer novas restrições para a gestão financeira da capital.