Goiânia, 06/04/2025
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Bolsonarismo perde força e tentativa de golpe não deve ficar impune

19/03/25

O ato convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em Copacabana, no Rio de Janeiro, no último domingo, 16, escancarou a perda de força do bolsonarismo e a falta de apoio popular à tentativa de anistiar os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Com a presença de apenas 18,3 mil pessoas, segundo levantamento da USP, e 30 mil, de acordo com o Datafolha, o evento foi um fracasso em relação à expectativa da organização, que previa um público milionário. A análise é de Guilherme Andrade do Jornal Opção.

Para o jornalista, o enfraquecimento fica evidente ao comparar com outras mobilizações bolsonaristas do passado. Durante o terceiro mandato de Lula (PT), Bolsonaro ainda conseguia lotar a Avenida Paulista com pouco aviso prévio. No entanto, a adesão à causa da anistia revelou-se limitada, indicando que nem todas as pautas do ex-presidente encontram ressonância entre seus apoiadores.

Paralelamente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) formalizou uma denúncia contra Bolsonaro e outras 33 pessoas por tentativa de golpe de Estado entre o fim de 2022 e o início de 2023. O documento apresentado ao Judiciário contém provas concretas de conspiração contra o Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe militar, planos para assassinar figuras do alto escalão público e incentivo à mobilização em frente a quartéis. Os indícios são contundentes e reforçam a necessidade de responsabilização.

Bolsonaro, que chegou a divulgar que "um milhão" compareceria ao ato, viu uma realidade bem diferente. O recado das ruas é claro: a tentativa de golpe e seus protagonistas não têm respaldo popular. Se tivessem conseguido derrubar a democracia, se colocariam como heróis da história, mas, diante do fracasso, tentam fugir das consequências. O bolsonarismo, ainda que mantenha certa relevância política, já não exerce a mesma influência. A repulsa a Lula segue mobilizando parte da direita, mas a defesa da impunidade não encontra eco.


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