19/03/25
Um Grupo de Trabalho criado pelo Estado-Maior do Exército tem até o dia 28 deste mês para apresentar um relatório final sobre as mudanças no Comando de Operações Especiais (Copesp), unidade de elite do Exército localizada em Goiânia. O Copesp abrigava os 12 militares conhecidos como “kids pretos”, denunciados por participação na tentativa de golpe de Estado e, segundo as investigações, envolvidos em um plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A iniciativa de reformulação ocorre paralelamente ao julgamento do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
A Agência Pública revelou que um dos nomes centrais que impulsionaram as medidas de revisão e reestruturação do Copesp é o do tenente-coronel Guilherme Marques Almeida. O militar era o comandante do primeiro e único Batalhão de Operações Psicológicas que o Exército já teve, unidade responsável por táticas de guerra psicológica.
Marques Almeida ficou conhecido após desmaiar quando foi intimado pela Polícia Federal no Conjunto Militar do Setor Marista, em Goiânia. Ele é acusado de coordenar operações para influenciar civis e disseminar desinformação com o objetivo de impedir a posse de Lula. De acordo com as investigações, o oficial incentivava a “saída das quatro linhas” para garantir a manutenção do poder por seu grupo e agora responde por participação ativa na conspiração golpista.
A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), baseada na investigação da Polícia Federal (PF), aponta que Marques Almeida utilizava grupos de WhatsApp para espalhar fake news sobre fraudes nas urnas eletrônicas e estimular manifestações contra o resultado das eleições. Em um dos áudios obtidos pela PF, ele descreve a invasão das sedes dos Três Poderes ocorrida em 8 de janeiro de 2023 como um “mecanismo de pressão” para reverter o resultado das eleições. “Dá pra fazer um ‘trabalho bom’ nisso aí”, teria dito o oficial, em referência à tentativa de golpe.
A ligação direta entre os militares do Copesp e o planejamento de ações violentas contra autoridades, incluindo a possibilidade de um atentado contra Lula, torna a reestruturação da unidade um movimento estratégico dentro do Exército. Enquanto isso, o julgamento do núcleo militar da conspiração avança no STF, elevando a pressão sobre Bolsonaro e seus aliados.