21/03/25
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), criticou duramente a possível federação entre o União Brasil (UB) e o Progressistas (PP), classificando a aliança como "um tiro no pé, para não dizer na cabeça". Em entrevista ao O Popular nesta quinta-feira (20), Caiado argumentou que a fusão não faz sentido e agravaria os conflitos internos das siglas, especialmente às vésperas de uma eleição.
O governador, que também é presidente do União Brasil em Goiás, destacou que a legenda ainda enfrenta os efeitos da fusão entre DEM e PSL, realizada em 2022, e que a federação com o PP apenas intensificaria os problemas. “Nós ainda estamos administrando as sequelas da fusão dos Democratas com o PSL. Você imagina bem, na reta de uma eleição, pegar dois partidos grandes, que são independentes, e querer tutelar um ou outro nesses estados. Não fecha”, enfatizou.
A federação entre UB e PP já foi aprovada pela direção nacional dos Progressistas e aguarda a decisão do União Brasil. Apesar do suposto consenso entre os dirigentes nacionais, a aliança enfrenta forte resistência interna. Caiado apontou que a federação não resolveria problemas estratégicos das siglas e poderia provocar uma debandada de parlamentares.
"Se você faz uma federação e desagrada nove estados, que são os maiores da federação, o que você vai fazer com esses deputados? No momento da janela, eles vão sair do partido. Nunca vi uma coisa dessas", afirmou o governador.
Caiado também destacou que a federação poderia inviabilizar sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026, pois o PP e o União Brasil não possuem um alinhamento claro sobre o próximo pleito. Além disso, a legenda já enfrenta divisões internas entre governistas, que ocupam ministérios no governo Lula, e opositores que seguem as diretrizes do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ao final, Caiado reforçou sua oposição à aliança e criticou a falta de viabilidade da federação. “Como é que você vai gerenciar pela nacional? Um atrito entre o União Brasil e o PP no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e outros estados? Isso vai criar uma guerra interna”, concluiu.