30/03/25
O cenário político em Goiás passa por um movimento significativo de prefeitos que deixam o Partido Liberal (PL) para se aliarem a siglas da base governista, como o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e o União Brasil (UB). Essa transição fortalece a pré-candidatura do vice-governador Daniel Vilela (MDB) ao governo do Estado nas eleições de 2026.
Entre os gestores que já oficializaram ou sinalizaram mudança, conforme apuração do jornal Opção, está a prefeita de Formosa, Simone Ribeiro, que justificou sua decisão como estratégica. “Nosso município arrecada um pouco mais de R$ 30 milhões, mas temos precatórios acima de R$ 200 mil. Este mês mesmo paguei R$ 1,8 milhão em precatórios consignados”, explicou, destacando a importância do suporte estadual na resolução de problemas financeiros herdados de gestões anteriores.
Simone Ribeiro também mencionou outros prefeitos que seguiram o mesmo caminho. “Sei que Luiz Otávio, de Cristalina, e Jacó Rotta, de Cabeceiras, também tomaram essa decisão”, afirmou. Segundo ela, a parceria entre os municípios e o governo estadual deve ser de "mão dupla", garantindo melhorias efetivas para a população.
A articulação política liderada por Daniel Vilela tem se intensificado na região Sudoeste, considerada estratégica para sua candidatura. Em cidades como Rio Verde, Jataí e Mineiros, líderes políticos locais têm demonstrado apoio ao vice-governador. No entanto, Geneilton Assis, prefeito de Jataí, resiste à pressão e permanece alinhado ao grupo bolsonarista.
Um vereador da cidade afirmou ao jornal Opção que não há informações concretas sobre uma possível adesão de Geneilton, mas não descarta essa possibilidade. O parlamentar ressaltou que o prefeito de Jataí e Vilela mantêm um relacionamento amistoso e compartilham ideias semelhantes.
Em Anápolis, o prefeito Márcio Corrêa (PL) tem histórico de proximidade com Daniel Vilela. Ex-filiado ao MDB, Corrêa recebeu apoio do vice-governador em sua candidatura a deputado federal em 2022 e na disputa pela Prefeitura de Anápolis em 2024. Para as eleições de 2026, a tendência é que ele retribua o apoio a Vilela.
“Vejo eles muito próximos. Acredito que há possibilidade de Wilder Morais não se candidatar ao governo e todos se unirem, com Vitor Hugo no Senado”, afirmou um vereador anapolino.
A possibilidade de aliança entre PL e MDB ganha força, especialmente após declaração de Vitor Hugo ao jornal Opção, confirmando que Jair Bolsonaro tem priorizado candidaturas ao Senado em detrimento das disputas para governos estaduais.
O prefeito de Novo Gama, Carlinhos do Mangão (PL), reforçou seu compromisso com a base do governador Ronaldo Caiado (UB) e declarou apoio a Daniel Vilela. “Tive o apoio de Caiado na minha eleição e reeleição. Tenho certeza de que Daniel dará continuidade ao seu legado”, afirmou Carlinhos, sem descartar a possibilidade de migrar para um partido da base governista.
O gestor também expressou insatisfação com a liderança do PL em Goiás. “Tenho muito respeito pelo senador Wilder Morais, mas o grande problema do PL no Estado são as interferências, principalmente de novatos como Gustavo Gayer e Fred Rodrigues”, pontuou.
Outros prefeitos estão contribuindo para fortalecer a base de apoio de Daniel Vilela. O presidente da Associação Goiana de Municípios (AGM), José Délio (UB), afirmou que o vice-governador é um candidato natural da base governista.
“O Daniel tem credenciais para o cargo e o apoio de um governo bem avaliado. Com um partido estruturado e líderes em todas as regiões, ele tem um cenário muito favorável”, declarou.
A articulação também conta com nomes influentes, como o prefeito Paulo Vitor (UB), de Jaraguá. Segundo ele, o diálogo tem sido a chave para atrair mais prefeitos ao projeto político de Vilela.
“O governador tem respeitado todos, independentemente da sigla partidária. Nosso trabalho é mostrar os bons exemplos e os avanços que o Estado tem alcançado”, afirmou Paulo Vitor.
Apesar das adesões em andamento, algumas lideranças do PL ainda resistem à mudança. No entanto, prefeitos insatisfeitos com a direção do partido tendem a fortalecer a base governista nos próximos meses.