30/03/25
Desde o início da nova gestão em Goiânia, um movimento intenso de vereadores no Paço Municipal chamou atenção. Embora seja comum parlamentares buscarem diálogo com o prefeito, o motivo principal dessas visitas foi a tentativa de ampliar a cota de indicação de cargos, fixada em R$ 30 mil por vereador. A resposta de Sandro Mabel foi categórica: "não".
O pedido ocorreu justamente no momento em que a Prefeitura buscava a aprovação do decreto de calamidade financeira, devido à dívida municipal, que se aproxima de R$ 4 bilhões. Em vez de apoiarem medidas para enfrentar a crise, alguns vereadores demonstraram preocupações mais voltadas a interesses próprios.
A negativa de Mabel não foi bem recebida e o incômodo aumentou quando o prefeito anunciou que tornaria mais transparentes as emendas impositivas, que somam R$ 176,1 milhões. "Estamos trabalhando para otimizar as emendas parlamentares, garantindo que os recursos sejam aplicados de forma eficaz, principalmente em áreas como saúde e educação", explicou.
O Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) corroborou a necessidade de regulamentação, publicando uma instrução normativa que estabelece regras para indicação, execução e fiscalização das emendas. O documento reforça que os repasses devem atender ao interesse público e obedecer aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
Outro ponto de discordância surgiu quando Mabel sugeriu reduzir de 2% para 1,5% o percentual destinado às emendas impositivas. A mudança, caso seja implementada, valerá apenas a partir de 2026, mas a simples menção gerou desconforto entre alguns vereadores.
Enquanto parte da Câmara insiste em manter a dinâmica da “torneira aberta”, o presidente da Casa, Romário Policarpo, tem se mostrado alinhado à necessidade de ajuste fiscal. Em entrevista recente, Policarpo destacou sua relação de respeito e cooperação com Mabel, afirmando que a parceria transcende questões administrativas.
No comando da Câmara pelo terceiro mandato consecutivo, Policarpo tem experiência suficiente para entender que os desafios da cidade exigem novas posturas. Sua disposição para o diálogo e para uma atuação responsável deve servir de exemplo aos demais vereadores.
A gestão de Sandro Mabel será avaliada pela população conforme os resultados de suas ações. No entanto, cabe também aos parlamentares compreenderem que os tempos mudaram. O momento pede compromisso com a cidade e não com interesses particulares.