27/01/24
A demolição de uma casa construída no estilo modernista, localizada no Setor Sul de Goiânia, evidencia falhas no processo de preservação histórica da cidade. O imóvel, que esteve incluso em um inventário da Prefeitura entre 2015 e 2016 para possível tombamento, foi retirado da lista sem justificativas claras, e, agora, tornou-se mais um exemplo da falta de políticas públicas eficazes voltadas à conservação do patrimônio arquitetônico da cidade.
O inventário, realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e Universidade Federal de Goiás (UFG), listou diversas residências históricas, incluindo aquelas construídas entre as décadas de 1930 e 1970. A casa demolida, datada de 1959 e projetada pelo arquiteto Luis Osório Leão, estava sob acautelamento desde dezembro de 2019, impedindo alterações no imóvel.
A Secretaria Municipal de Cultura (Secult) não fornece publicamente as razões para a exclusão do imóvel da lista de tombamento. A ausência de transparência levanta questionamentos sobre o processo decisório por trás da retirada desse bem do rol de patrimônios históricos a serem preservados.
A residência em questão, parte do espólio do médico Eduardo Jacobson, já vinha sendo negligenciada, ficou abandonada por cerca de oito anos e, posteriormente, foi ocupada por pessoas em situação de rua. Mesmo após um incêndio em 2017, não houve ações efetivas para a sua revitalização ou preservação. A falta de incentivos fiscais para a preservação, somada à ausência de uma cultura de valorização do patrimônio histórico, contribui para a deterioração de edificações significativas.
A demora no processo de tombamento, envolvendo disputas legais até chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF), demonstra a fragilidade do sistema de preservação, permitindo que parte do patrimônio se perca ao longo do tempo. A sociedade goianiense clama por uma abordagem mais proativa e eficaz no que diz respeito à preservação de sua herança arquitetônica e cultural.