16/12/23
O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE) Edson José Ferrari foi suspenso pela Justiça por suposto ato de improbidade administrativa relacionado ao seu envolvimento com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Em 2019, o juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública Estadual, Élcio Vicente da Silva, acatou uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público de Goiás, suspendendo Ferrari pelo suposto desrespeito aos princípios da administração pública.
A acusação, baseada em um áudio de 2007/2008 que evidencia a amizade entre Ferrari e Marconi, alega que o conselheiro utilizou sua posição para favorecer o ex-governador em julgamentos e perseguições políticas. Em defesa, os advogados argumentaram que o prazo de 5 anos para a ação já havia expirado. O juiz, porém, considerou que as gravações constituíam evidência de improbidade.
Na decisão, o juiz Élcio Vicente destacou que os áudios revelaram favorecimento a Marconi, representando uma grave violação da probidade. Ele salientou que o conselheiro não declarou voluntariamente suspeição, mesmo diante da amizade íntima com a autoridade cujas contas estavam em julgamento.
O advogado de Ferrari, Dyogo Crosara, discordou da decisão e argumentou à época que a matéria já havia sido julgada anteriormente, resultando no retorno do conselheiro ao TCE. Crosara afirmou que não houve ato de improbidade e destacou que Ferrari não votou em nenhuma conta do governador Marconi Perillo durante seu mandato.
Apesar da defesa, a sentença implicou na perda do cargo público de conselheiro do TCE, suspensão dos direitos políticos por 3 anos, multa e proibição de contratar com o Poder Público. Nos bastidores da política em Goiás, nunca foi segredo a amizade de Marconi com o conselheiro. Edson Ferrari foi secretário particular do tucano entre 1999 e 2004, quando foi nomeado conselheiro do TCE.