28/02/24
A empresa Goiás Led Materiais Elétricos e Construção alvo de investigações na Operação Lumière, deflagrada pela Polícia Civil de Goiás (PC-GO) por suposto envolvimento em esquema de sonegação de impostos, mantém contrato com a Prefeitura de Goiânia. O proprietário, Alessandro Martins Miguel, foi preso durante a operação que apura um esquema de sonegação fiscal.
A Goiás Led é apontada como parte de um grupo econômico suspeito, juntamente com outras três empresas de materiais elétricos, que também possuíam contratos com a Prefeitura de Goiânia à época. As empresas compartilham depósitos na mesma quadra do Setor Oeste. Alessandro, detido na última terça-feira, 27, morava em uma residência simples em Trindade.
O Portal da Transparência da Prefeitura de Goiânia revela dois contratos da Goiás Led com a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), totalizando R$ 12 milhões. Desse montante, R$ 11,3 milhões já foram pagos pela pasta. O primeiro contrato, entre 1º de junho e 5 de julho de 2023, previa a aquisição de 8 mil luminárias de tecnologia led dimerizável com telegestão, no valor de R$ 4,8 milhões. O segundo contrato, de R$ 7,2 milhões, iniciou-se em 28 de junho de 2023, com vigência de um ano, destinado à compra de luminárias led e relés fotoelétricos.
A auditoria realizada pela UFG, apresentada no relatório do plano de recuperação do Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores de Goiânia (Imas), revela a disparidade entre arrecadação e despesas do órgão. No período de 2020 a 2022, o Imas arrecadou R$ 472.129.539,22, enquanto as despesas chegaram a R$ 540.502.986,93, resultando em um déficit de R$ 68.373.447,71.
O advogado de Alessandro, Carlos Roberto de Freitas, ressaltou que a defesa não teve acesso às representações de busca e apreensão, mandados de prisão e ao relatório de objetos apreendidos, dificultando qualquer pronunciamento no momento. A Operação Lumière, que durou cerca de 10 meses, identificou empresas de um mesmo grupo econômico praticando sonegação, acumulando uma dívida de R$ 115 milhões. Os reais proprietários, pai e filho, também foram identificados, juntamente com três laranjas, funcionários das empresas.