28/02/24
Quem transitou recentemente pela Rua do Lazer, no Centro de Goiânia, certamente notou uma mudança impactante: as tradicionais luminárias em forma de globo, que adornavam a via desde os anos 1970, foram substituídas por modelos retangulares equipados com luzes de LED. Essa troca, realizada pela Prefeitura de Goiânia com o argumento de aumentar a segurança na região, reacendeu a polêmica sobre a descaracterização do Centro Histórico da cidade.
A Rua do Lazer passou por uma revitalização em 2019, visando tornar-se um ponto ativo de cultura e esporte. A reforma incluiu a troca de piso, a revitalização de becos, e a restauração de elementos urbanos, como bancos e postes históricos. No entanto, nos últimos meses, as antigas luminárias encontravam-se apagadas e danificadas, diminuindo a atratividade da região durante a noite.
Diante da repercussão nas redes sociais, a Secretaria Municipal de Finanças (Seinfra) emitiu uma nota explicativa. Segundo a pasta, a substituição foi realizada de maneira emergencial para garantir a segurança dos moradores e comerciantes da região. A ação faz parte do Programa Centraliza, que busca requalificar o Centro. A Seinfra assegura que a mudança é temporária até a aquisição de novas luminárias, em estilo art déco, preservando a arquitetura local.
Os postes característicos da Rua do Lazer, instalados nos anos 1970, foram um marco quando a porção da Rua 8, entre a Rua 3 e a Avenida Anhanguera, foi fechada para veículos. Fotografias antigas mostram como as luminárias contribuíam para a atmosfera da região, que abrigava butiques, cinemas e restaurantes ao longo das décadas.
Maria Ester de Souza, arquiteta e urbanista, ressaltou ao jornal O Popular a importância de preservar elementos urbanos como postes e luminárias, destacando que são representativos do patrimônio urbano. Cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife conseguiram manter postes de ferro fundido do início do século 20. Em São Paulo, a requalificação do Centro Histórico incluiu melhorias na iluminação sem comprometer a estética original.
Para Daniela José da Silva, professora de Arquitetura e Urbanismo, a questão das luminárias é controversa. Ela destaca a necessidade de um estudo aprofundado sobre o impacto da substituição, considerando a possibilidade de descaracterização da paisagem. O Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan Goiás) afirma que a Rua do Lazer não está sob sua competência, e Pedro Wilson Guimarães, superintendente, destaca a importância de consultar os afetados antes de realizar mudanças.
O Teatro Carlos Moreira, ponto de resistência na Rua do Lazer, sobrevive há 15 anos na região e ressalta que a iluminação contribui para a ocupação do Centro. No entanto, destaca a necessidade de uma abordagem abrangente, envolvendo áreas como assistência social e saúde.
A pergunta que fica é se a mesma mudança emergencial será realizada na Avenida Goiás, onde postes e luminárias ornamentais semelhantes permanecem, muitos deles danificados e apagados. A Seinfra afirma que, quando as lâmpadas do canteiro central da avenida forem trocadas, também serão renovadas em estilo art déco, como planejado para a Rua do Lazer.